(11) 3030 4500

“Nutrição no ciclismo é a base de tudo, assim como é para todos os seres humanos”. É dessa forma que o nutricionista Breno Sidoti define a importância da alimentação nesse esporte. Ser ciclista requer uma preparação muito bem detalhada, que vai do preparo físico ao psicológico, do bom descanso à nutrição mais adequada.

Sidoti possui muita experiência nesse ramo. Ele teve diversas conquistas como ciclista profissional, entre elas a Copa América de 2011. Participou também do Mundial de Madri e dos Jogos Panamericanos de 2013, além de competir por dois anos na Itália. Hoje, ele é pós-graduado em nutrição esportiva e trabalha com atletas amadores e profissionais, incluindo a equipe Funvic de Ciclismo.

Foi exatamente na Itália que ele percebeu o quanto é importante a nutrição no ciclismo. “Eu nunca tinha passado por uma experiência como aquela. Lá eles levam isso muito a nutrição no ciclismo”, diz ele, que trabalhou como nutricionista em grandes competições, como a Volta de Portugal, Clássica de Ordízia (na Espanha) e Tour da Turquia.

Nutrição no ciclismo: dois ciclistas da equipe de triatlo da BMC estão sentados em um banco comendo uma barra de cereal

Ciclistas da equipe de triatlo da BMC se alimentam durante treino (@bmcvifittri)

A grande exigência da nutrição no ciclismo

Sidoti trabalha com nadadores, jogadores de futebol, maratonistas, ciclistas e até lutadores. De acordo com ele, esses três últimos são os que mais exigem uma preparação alimentícia adequada para a prática do esporte.

“Os três dependem muito do peso. O maratonista, além das lesões, se tiver muito pesado, não vai ter um bom rendimento, assim como no ciclismo. O lutador, se tiver muito fora do peso, ou vai apanhar muito ou não vai conseguir estar na categoria exata”, afirma Sidoti.

Ele ressalta, porém, que não tem como fazer um cardápio geral para todos os ciclistas. O atendimento deve ser individual, uma vez que cada perfil necessita de um tipo específico de preparação.

“No caso da nutrição no ciclismo nós focamos no desempenho, que é o que todo mundo quer ter. Vemos antes os objetivos que ele quer atingir. Sempre programamos para ele ter o máximo de energia. Existem vários caminhos. Depende do atleta. Se precisa emagrecer, fazemos ele emagrecer e ganhar performance. Se está num nível bom, buscamos ainda mais performance”, diz.

Na dieta, o nutricionista conta que recomenda gordura saudável, já que é uma fonte de energia, além de carboidrato, vitamina e proteína. As proporções variam de acordo com alguns fatores, como o objetivo e o biótipo do ciclista.

Nutrição no ciclismo: O dinamarquês Michael Knudsen toma um energético em uma van durante uma etapa do Trans-Siberian

O dinamarquês Michael Knudsen durante etapa do Trans-Siberian (Pavel Sukhorukov/Red Bull Content Pool)

A nutrição para cada perfil

O nutricionista cita o britânico Chris Froome e o eslovaco Peter Sagan para dar como exemplo as diferenças de alimentação. O primeiro é um escalador, consequentemente mais magro, enquanto o segundo é um velocista, mais forte e com mais massa muscular.

“São dois extremos dessa nutrição no ciclismo. Froome tem uma dieta mais rigorosa e maluca para ficar bem magro, mas nas competições ele come muito. Já a dieta do Sagan é rica em carboidrato, proteína e gordura e é muito mais livre. Ficar um pouco mais pesado para ele é até bom”, afirma.

Um escalador tem uma dieta mais efetiva, come mais próximo da prova alimentos com carboidrato para ter energia suficiente. É algo bem mais regrado.

O sprinter, por sua vez, precisa de potência. “Aqui eu não restrinjo o carboidrato, porque é onde tem a fonte de energia, e ele precisa disso. Carrego o sprinter com muito carboidrato, porque ele necessitará de força. A dieta é mais liberada, se come muito mais”, afirma Sidoti.

No caso do passista, o nutricionista ressalta que se trata de um meio termo. Ele come uma “quantidade bacana”, mas que não pode estar “nem muito pesado nem muito leve”.

Alimentação para cada etapa

Há um tipo específico de alimentação para cada etapa da prova: antes, durante e depois. Sidoti explica (abaixo) como funciona, no geral, a dieta para cada uma dessas fases.

Lembre-se, porém, que é importante não esperar ficar com fome para se alimentar enquanto pedala, já que você perderá desempenho e força e pode ter o catabolismo muscular (degradação de proteína muscular para fornecer energia ao organismo).

Antes
“Normalmente se coloca carboidrato, para dar energia, pois o atleta vai precisar, e proteína de fácil digestão para não passar mal durante a prova. Aqui é onde normalmente entram ovos mexidos, por exemplo”.

Durante
“A gente tem que dosar a quantidade de carboidrato. Aqui fica a média de 30 a 60 gramas de carboidrato por hora, para manter o desempenho do atleta. Uma banana grande tem 30 gramas de carboidrato. Tem também gel especializado, os pós que você pode colocar numa garrafa para diluir e preparações caseiras. Uso bastante a famosa bisnaguinha com pasta de amendoim, ou bisnaguinha com doce, que pode ser geleia, goiabada, cream cheese. Tem que variar entre doce e salgado”.

Pós
“Nós nos preocupamos em repor a energia que esse atleta perdeu para ele ter uma recuperação mais rápida possível. Vai entrar carboidrato e proteína. São 4 gramas de carboidrato para uma grama de proteína. Só não pode exagerar. Tem que ser uma quantidade pequena de proteína para ser o suficiente para recuperar a musculatura. Você fica zerado para outro treino ou prova”.