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Rolamento de cerâmica ajuda ciclista a obter melhor rendimento

Rolamento de cerâmica ajuda ciclista a obter melhor rendimento

O rolamento de cerâmica virou o desejo de muitos ciclistas, pois esse componente é mais um grande passo da evolução da tecnologia nas bicicletas. Johnny Lin, um dos principais especialistas técnicos de ciclismo do Brasil, é prova disso.

O mecânico da Bicicletaria Faria Lima concedeu uma entrevista (clique aqui para ver o programa completo) para o canal MTB90 e ressaltou que o rolamento de cerâmica é uma grande vantagem para quem procura atingir o nível máximo de rendimento no esporte.

“Hoje o pessoal traz a tecnologia de Fórmula 1 e até de espaçonave para as bicicletas. Exemplos disso são a cerâmica e o carbono. O rolamento de cerâmica é para alta performance e faz uma excelente diferença”, disse Lin.

O máximo rendimento do rolamento de cerâmica

O especialista citou os três tipos de rolamentos da marca Enduro: o híbrido, que é de metal com cerâmica; o “zero”, que possui um tratamento no corpo, cor diferente e é feito com nitreto para dar um pouco mais de durabilidade contra corrosão; e o XD-15, que tem uma tecnologia que Lin define como “pau para toda obra”.

Esse último é o mais recente. De acordo com o importador, o XD-15 oferece garantia vitalícia para o primeiro dono. Ele possui um tratamento superespecial com infusão de nitreto e nitrogênio. O corpo onde as esferas rolam são contra ferrugem.

No programa do MTB90, Lin fez uma demonstração no movimento central para mostrar a diferença de se pedalar com um rolamento de cerâmica e um tradicional. A diferença, de fato, foi grande.

Com o convencional, o movimento central deu pouco mais de meia-volta e parou de se movimentar em quatro segundos. Já com o rolamento de cerâmica, deu quase uma volta inteira e ficou em ação por muito mais tempo: 39 segundos.

“Enquanto seu oponente está fazendo força [pedalando], você salva watts preciosíssimos [com rolamento de cerâmica], são segundos preciosos”, afirmou Lin. De acordo com ele, é possível deixar o componente ainda mais poderoso.

Rolamento de cerâmica XD-15, da Enduro, desmontado, mostrando cada componente da peça

Este é o rolamento de cerâmica XD-15, da Enduro

“Tem alguns profissionais que usam rolamento de cerâmica. Tem retentor dos dois lados e alguns chegam a tirar um dos retentores e ficam só com o externo para não entrar sujeira e diminuir o atrito. É impressionante. E ainda utilizam, em vez de graxa, óleo. Isso é para ultra-performance”, disse Lin.

Segundo o especialista da Bicicletaria Faria Lima, passar graxa em um terço do rolamento já é o suficiente para um bom rendimento. Para atingir um nível acima, recomenda-se óleo a base de teflon.

Cuidados e durabilidade

Para se obter o máximo que o rolamento de cerâmica pode oferecer, é importante ter cuidados, como ressalta Lin. “Depois de uma prova com lama ou chuva, é recomendado desmontar, limpar o rolamento e aplicar graxa novamente. Não dá para continuar andando com a bicicleta depois de uma chuva ou lama, porque destrói o rolamento”, afirmou.

Com uma boa manutenção, a durabilidade aumenta. “Se a pessoa tiver o cuidado de levar [a bicicleta] para a oficina depois da prova, dura bastante, tem uma durabilidade bem longa. Se não tiver cuidados, vai danificar como qualquer rolamento convencional”, disse Lin.

Pressão dos pneus da bicicleta: acerte para ter a melhor performance

Pressão dos pneus da bicicleta: acerte para ter a melhor performance

Ter a correta pressão dos pneus da bicicleta é algo muito importante para se chegar à melhor performance possível, seja na estrada como no triatlo ou em qualquer outra modalidade do ciclismo. Esse fator é, muitas vezes, negligenciado, prejudicando, assim, a sua experiência.

Ao atingir o ponto ideal da pressão dos pneus da bicicleta, o ciclista terá todo o conforto necessário para pedalar. A calibragem adequada permite que você pedale com maior segurança, mais rápido e de forma suave, evitando, assim, os quiques e a perda de tração. A sua bike irá absorver melhor as irregularidades do terreno.

“Verifique a pressão dos pneus da bicicleta regularmente. Cheque antes de cada viagem ou pelo menos uma vez por semana. Se você não fizer isso, a calibragem provavelmente estará errada na maior parte do tempo em que você estiver pedalando”, aconselha a revista “Bicycling“.

Ciclista para de pedalar para mostrar a correta pressão dos pneus da bicicleta

Pressão dos pneus da bicicleta deve ser checada regularmente

Psi e a correta pressão dos pneus da bicicleta

Psi é a forma abreviada do inglês pound force per square inch, ou libra-força por polegada quadrada. Trata-se da unidade de medida padrão nos Estados Unidos e é também a mais utilizada no Brasil quando o assunto é pressão dos pneus da bicicleta.

É fundamental que a calibragem respeite a máxima pressão recomendada pelo fabricante. Essa informação está, normalmente, na banda lateral do pneu – por isso, é importante ter um aferidor. Porém, você não deve atingir, necessariamente, esse número.

“Mais nem sempre é melhor. A pressão máxima listada na banda lateral é geralmente muito alta. Além disso, ela não leva em conta nenhum fator que influencia a pressão do pneu”, diz a “Bicycling”.

Na hora de calibrar, considere alguns fatores, como o tipo e o tamanho do pneu: os mais estreitos necessitam de uma pressão maior em relação aos mais largos, por exemplo.

Pneu de uma bicicleta exposta na loja da Bicicletaria Faria Lima

Os pneus mais estreitos necessitam de uma pressão maior em relação aos mais largos

O peso do ciclista também deve ser lembrado: quanto mais pesado, maior a pressão. De acordo com a “Bicycling”, se um ciclista de 75 kg usa 100 psi em sua bicicleta de estrada, um de 90 kg deve colocar em torno de 120 psi de pressão em seus pneus, enquanto um de 60 kg deve pôr algo em torno de 80 psi – nas mountain bikes, é mais comum se usar entre 35 e 65 psi.

A modalidade que você vai praticar e as condições do terreno são outros dois fatores a serem considerados no momento da calibragem. Em um pavimento novo, os pneus podem se sair bem com 100 psi, mas em uma estrada difícil, talvez seja melhor andar com 90 psi.

A marca “Vittoria” disponibiliza uma ferramenta em que é possível calcular a melhor pressão dos pneus que você usará. É possível acessá-la tanto pelo site da empresa (aqui) como baixar um aplicativo pelo celular.

Detalhe do pneu de uma bicicleta exposta na loja da Bicicletaria Faria Lima

Quanto mais cheio o pneu estiver, mais rápido ele andará

Nem murcho nem muita pressão

Deve-se levar em conta que um pneu muito murcho estará mais propenso a furar e a ter o que no meio ciclístico é mais conhecido como “snake bite” (mordida de cobra, na tradução livre), que é o furo duplo na câmara de ar causado pelo impacto do aro contra a câmara. Por outro lado, o excesso de pressão dos pneus da bicicleta faz com que a bike perca contato com o solo em curvas e em trechos irregulares, podendo causar um acidente.

Quanto mais cheio o pneu estiver, mais rápido ele andará. Entretanto, perderá aderência e deixará o ciclista mais desconfortável. Em contrapartida, quanto mais vazio, mais devagar você conseguirá pedalar e o pneu pode até sair do aro em curvas. Portanto, é importante ficar atento a esses detalhes.

Equilíbrio

Simplesmente inflar os pneus dianteiros e traseiros de forma idêntica é um erro. O fundamental é encontrar um equilíbrio, porque o peso que você coloca na parte frontal da bicicleta não é o mesmo que se põe atrás.

Portanto, esteja sempre atento a esse fator e faça testes para chegar à melhor conclusão, pois cada um possui um estilo diferente e preferido de pedalar.

Seguro para bicicleta é bom investimento contra roubos e acidentes

Seguro para bicicleta é bom investimento contra roubos e acidentes

Para muitos, a bicicleta significa mais do que um simples meio de transporte alternativo. É também a principal companheira para as aventuras e a parceira para o lazer nos fins de semana. Com tantos propósitos, uma dúvida paira na cabeça de quem pedala: devo fazer um seguro para bicicleta? Números sugerem que sim.

Usar a bike como meio de transporte está mais comum no Brasil. Dados divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e pelo IBGE e publicados pelo site “Pequenas Empresas e Grandes Negócios”, em 2017, indicaram que a circulação de bikes no país já é maior do que de carros: 70 milhões contra 50 milhões. Com isso, aumentou o número de roubos.

De acordo com um levantamento feito pela TV Globo, os casos de roubo de bicicletas no Estado de São Paulo subiram de 2.206 em 2016 para 2.320 em 2017 (aumento de 5,1%). Na capital paulista, o crescimento foi maior: de 399 em 2016, passou para 573 no ano passado (aumento de 43,6%).

Diante desse cenário, o seguro para bicicleta se popularizou no país e é, hoje, uma grande solução para se proteger. Entre 2012 e 2014, por exemplo, o registro de seguro para bike triplicou: de 350 unidades, chegou a 1,2 mil, segundo o Sindicato dos Corretores do Estado de São Paulo (Sincor) – o blog entrou em contato com o sindicato para obter números atualizados, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Ciclista com seguro para bicicleta pedala pela ciclovia da Av. Brg. Faria Lima, em São Paulo

Usar a bike como meio de transporte está mais comum no Brasil

Como fazer um seguro para bicicleta

Marcelo Ramos, sócio da Da Veiga & Higuchi Corretora de Seguros, parceira da Bicicletaria Faria Lima, é prova desse crescimento. Ele diz que a procura por seguro para bicicleta tem aumentado. De acordo com ele, a grande maioria das pessoas o procura justamente por causa da preocupação com roubos.

“Recebemos solicitações constantes de orçamento para seguro de bicicleta. Isso está crescendo. Posso dizer que 95% das pessoas querem o seguro por preocupação com o roubo. As pessoas ficam com medo, ainda mais em uma cidade como São Paulo”, disse Ramos, que ressaltou que, desde que começou a trabalhar nesse ramo, no fim de 2015, não teve nenhum caso de roubo registrado até hoje.

Fazer um seguro para bicicleta é fácil. A Da Veiga & Higuchi Corretora de Seguros oferece dois tipos diferentes de proteção: um mais enxuto, em que a pessoa deve contratar também o seguro da residência, e outro que é exclusivo para bicicleta.

Dois ciclistas carregam suas bicicletas no ombro em uma estrada de terra

Seguro exclusivo para bicicleta cobre dano parcial ou total por acidente

No primeiro caso, só se cobre o roubo e o furto qualificado dentro da residência. Já a outra alternativa é mais completa: cobre também dano parcial ou total por acidente, em transporte (desde que a bicicleta esteja sendo devidamente transportada em equipamentos específicos para tal uso) e a terceiros.

O procedimento para contratação é bem prático, pois não é preciso fazer vistoria. Quando a bike está atrelada ao seguro residencial, é importante que se tenha um documento comprobatório do bem, uma vez que sua apresentação é indispensável se houver algum sinistro.

No seguro exclusivo, se faz necessário tirar três fotos de partes específicas da bicicleta. Em uma delas deverá constar um código que é gerado pela própria seguradora antes da contratação.

Independentemente da escolha, há uma franquia, semelhante aos seguros de carro. Uma das seguradoras, inclusive, limita o valor dessa franquia a R$ 2.800, o que é um diferencial no mercado para quem possui bicicleta com preço elevado.

Ciclista enche o pneu da sua bicicleta no acostamento de uma estrada

Valor do seguro para bicicleta depende do perfil da pessoa, o valor da bike e de quantas vezes ela é utilizada por semana

Segundo Ramos, o custo do seguro varia muito. Depende, em geral, do perfil da pessoa, o valor da bike e de quantas vezes ela é utilizada por semana. A proteção para uma bicicleta de R$ 2.500 sai por volta de R$ 300, dependendo, claro, dos fatores mencionados.

Ramos destaca que uma das grandes novidades é o fato de a seguradora cobrir eventuais furtos qualificados da bicicleta enquanto ela está guardada no carro. “Você vai à padaria e, quando volta, vê o seu carro arrebentado e sem a bike. Antes, isso não tinha cobertura. Agora, passou a ter”, afirmou.

Triatletas e ciclistas de estrada são os que mais procuram seguro para bicicleta, já que ficam mais expostos por causa de suas viagens e pedais longos. Apesar disso, Ramos recomenda a proteção para todo o público que possui uma bicicleta com valor superior a R$ 2 mil, o mínimo exigido para fazer um seguro.

“Trata-se de uma proteção do seu bem caso algo inesperado aconteça. É a defesa do seu patrimônio. Por um valor pequeno que você investe no seguro, você tem a chance de repor esse seu bem, ou pelo menos a maior parte dele”, disse.

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer tem mais de 20 anos de experiência no ciclismo, sendo 13 como profissional, disputou cinco Olimpíadas, esteve presente nos três principais campeonatos (Tour de France, Giro d’Italia e Vuelta a España) e ganhou diversos títulos, como o Mundial e o Campeonato Brasileiro de Estrada. Tudo isso, agora, está personificado em uma bicicleta: Murilo Fischer Limited Edition.

O lançamento da nova bike da Soul Cycles aconteceu na última quinta-feira (13), em um evento realizado na loja da Bicicletaria Faria Lima. Murilo Fischer esteve presente para apresentar a novidade ao lado do presidente da marca, André Maior, e o seu sócio, João Paulo Diniz.

Murilo Fischer reuniu o que há de melhor no ciclismo de estrada para produzir a bicicleta e usou toda a sua experiência vivida no esporte para atingir um nível de excelência. O resultado? “Uma obra de arte”, disse ele.

Detalhes do garfo e do quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition

A nova bicicleta da Soul, Murilo Fischer Limited Edition, pesa menos que 6 kg

Uma bicicleta com a alma de Murilo Fischer

Murilo Fischer começou a pedalar com 15 anos e se tornou um dos ciclistas mais importantes que o Brasil já teve. Ele passou por equipes internacionais e é o único brasileiro a ter completado o Tour de France por três vezes e o Giro d’Italia, por quatro. Toda essa paixão pelo esporte foi transportada para a nova bicicleta.

“Ela tem a minha personalidade, uma ligação comigo, detalhes da minha carreira. É uma bike prazerosa. Eu coloquei nela todo o amor que tenho pelo ciclismo. Tem a minha alma e foi feita para quem ama ciclismo. Eu gostaria que quem a comprasse, sentisse o mesmo prazer de pedalar como eu a desenvolvi”, disse o ex-ciclista.

Duas bicicletas Murilo Fischer Limited Edition expostas em nossa loja

A bicicleta Murilo Fischer Limited Edition durante o evento de lançamento

Murilo Fischer se aposentou em 2016, depois da Olimpíada do Rio de Janeiro, e hoje exerce importante papel no grupo de desenvolvimento das bicicletas da Soul. A Limited Edition, aliás, foi toda pensada por ele. Entre os primeiros rabiscos e a finalização, o processo de produção da bicicleta durou um ano e meio.

“Eu que escolhi os componentes, os detalhes, participei da montagem, da pintura. Botei a mão na massa. Fiz questão de participar de tudo, desde o fazer até o organizar, escolher os materiais. Queria transmitir esse amor que tenho por bicicleta para a pessoa que irá usá-la”, afirmou ele.

Bicicleta pendurada na parede com destaque para as rodas Lightweight

A bicicleta é equipada com rodas Lightweight

A Limited Edition foi desenvolvida nos mínimos detalhes, muito por causa de Murilo Fischer, cuidadoso ao extremo na escolha dos componentes e no design, exatamente como era em seus tempos de profissional, como contou o presidente da Soul, André Maior.

“Demos total liberdade para ele. Queríamos que ele se identificasse com o produto. Uma coisa que me chamou a atenção é que o Murilo é muito detalhista. E era isso que eu queria. A Soul não nasceu para ser a maior marca nacional, mas insisto em dizer que queremos ser a melhor. Esse é o nosso objetivo. Estou muito orgulhoso e satisfeito com o resultado que estamos tendo”, disse.

O quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition, visto em um ambiente escuro

O quadro da bicicleta visto em um ambiente escuro

Os melhores componentes

Para representar um dos maiores ciclistas do Brasil, a bicicleta teria que receber os melhores componentes, possuir um design exclusivo e ser especial – ou limitada, como é o caso. Dessa forma, foram produzidas apenas dez unidades. O preço? R$ 49,900.

A bicicleta pesa apenas 5,9 kg (a mais leve da Soul), é equipada com rodas Lightweight (indubitavelmente, as melhores do mundo) e possui grupo da marca Sram sem fio, selim da Selle Italia de 60 gramas (o normal pesa 200 gramas) e mesa Controltech. O quadro é feito de carbono.

Detalhe da corrente da bicicleta Murilo Fischer Limited Edition

O processo de desenvolvimento da bicicleta demorou um ano e meio

“A gente conseguiu juntar tudo isso e fazer essa bicicleta com menos de 6 kg com peças comerciais. Tem o melhor do que existe no ciclismo de estrada. É leve, rígida, para extrema performance. Ficou tudo dentro do nosso objetivo”, afirmou.

A pintura da bicicleta possui vários detalhes. No quadro, por exemplo, ela tem os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas (Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). O ex-ciclista citou ainda a “cor camaleão”. No escuro, o verde ganha um destaque surpreendente.

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas estão pintados no quadro da nova bicicleta

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas

“É uma combinação bem bacana e moderna e são cores que chamam atenção na estrada. Tem um azul que a gente não consegue enxergar de longe, mas, chegando perto, você percebe. Os anos das Olimpíadas ganham um brilho diferente no sol. É show”, disse.

A missão de oferecer uma bicicleta única, inspirada em uma carreira de muito sucesso como a de Murilo Fischer, foi cumprida. E o ex-ciclista sabe bem disso. “Para mim, depois de tantos anos no ciclismo, eu considero como a minha primeira vitória nessa nova fase”.

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento de lançamento da Soul Limited Edition

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento

“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

Passados 11 dias do fim do Trans-Siberian Extreme, quando Mixirica concedeu esta entrevista, ele ainda sentia dores, pedalava inconscientemente, tentava alcançar os adversários enquanto dormia e acordava suado. Tais perturbações são reflexos de mais uma participação na prova de ciclismo mais difícil do mundo. No caso, a terceira – esteve também em 2016 e 2017.

“Quando acaba o Trans-Siberian Extreme, temos uns 15 dias de trauma pós-guerra. Ainda sinto todos os sintomas que eu sentia enquanto estava lá pedalando. Às vezes, enquanto estou andando, fico preocupado com um ataque de algum ciclista. É um negócio louco”, diz Mixirica.

Assim como nas outras duas oportunidades no Trans-Siberian Extreme, o ciclista, que levou para a Rússia duas bicicletas da Soul Cycles, terminou na terceira colocação. Percorreu o trajeto de 9.100 km em 346 horas, num total de 25 dias. Ficou atrás apenas do alemão Pierre Bischoff, que fechou a prova em 315 horas, e do dinamarquês Michael Knudsen (333 horas), que usou uma BMC.

O Trans-Siberian Extreme 2018 teve 15 etapas. Começou em Moscou e terminou em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia. Os ciclistas atravessaram 5 diferentes zonas climáticas e 7 fusos horários. São, no total, 79 km de subida. “Nem eu sei como tenho coragem”, afirma Mixirica.

Com a sua Soul Cycles, Mixirica passa por um corredor e cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

A batalha pela inscrição

A exemplo do ano passado, tudo aconteceu de forma repentina. Faltando duas semanas para o início do Trans-Siberian Extreme, Mixirica não sabia se conseguiria participar por causa das condições financeiras. De todo modo, embarcou para a Rússia a uma semana da largada.

Dessa vez, além de ir sem a passagem aérea da volta comprada, ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a inscrição (30 mil euros, ou R$ 144 mil, na cotação atual). Já na Rússia, pediu ajuda a um patrocinador da competição e amigos.

“Eu fui mesmo sem ter lugar no Trans-Siberian Extreme, não tinha certeza da minha participação. O chefão [Paul Bruck, organizador da competição] quase me tirou. Lá não tem ‘boi’. Você paga ou está fora. Conversei com o pessoal e, no fim das contas, deu certo. Caso contrário, eu ficaria chupando o dedo em Moscou”, diz ele.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica passa ao lado de um caminhão em etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica lidera o pelotão durante a oitava etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As dores de estômago e a fuga do médico

Mixirica conseguiu pagar a inscrição, mas apenas depois de seis etapas. Dessa forma, ele teve que lidar com a pressão de conseguir dinheiro para continuar na prova e não ser desclassificado nos primeiros dias. Preocupado, teve o seu psicológico afetado e sofreu com as dores de estômago.

“Eu fiquei muito mal. O Paul [Bruck] veio me cobrar depois de três etapas e isso me apavorou. Foi muito estressante e interferiu na prova. Chegaram a me dar um soro, mas, por um erro da equipe, aplicaram uma quantidade muito grande, o que afetou o meu estômago. Eu fiquei inchado”, afirma.

“O médico quase me tirou. Disse que eu não podia continuar daquele jeito. Eu tive que ‘fugir’ dele. Foi uma soma de coisas que me fez mal: o soro, o sono e a carga de preocupação. Tudo o que eu comia, eu vomitava. Mesmo assim, não parei. Vomitava mesmo pedalando. Nas primeiras etapas, eu pedalei sem nutrientes no corpo. Depois, melhorei aos poucos. Acho que foi a bicicleta que me curou”, diz, aos risos.

Mixirica segura um pote com comida enquanto tenta cochilar no Trans-Siberian Extreme

Mixirica come e tenta, ao mesmo tempo, cochilar (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As condições climáticas

Além do extenuante percurso e de todo o estresse da inscrição, Mixirica se deparou ainda com a rigorosa condição climática. A chuva foi um fator crucial durante as primeiras etapas da prova, que não para nem com temporal nem com uma temperatura negativa.

“Choveu forte nas primeiras etapas, aquela chuva fria, e chegou a ficar -4ºC, já chegando na Sibéria. Foi terrível. Eu cheguei a colocar duas luvas, mas ainda sentia a mão congelada. E vinham aquelas névoas que tapavam totalmente a visão. A lanterna da bicicleta ajudava, mas passei por muitos buracos”, afirma. Nessas regiões é comum fazer calor (algo em torno de 25ºC) durante o dia e frio pela noite.

O vento é outro fator importante e que pode fazer com que o ciclista perca um tempo precioso nas etapas. Por isso, acompanhar o pelotão se faz necessário. “O vento é muito forte. Ele vem lateralmente. Se você sai do vácuo, fica lá para trás. É igual paraquedas. Então, quando está no pelotão, você reveza”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Bem protegido do frio, Mixirica bebe água e ouve instruções da sua equipe

Mixirica se protege do frio como pode em etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

55 horas sem parar na “etapa rainha”

Nas sete primeiras etapas, Mixirica se manteve bem na quarta colocação (venceu, inclusive, a quarta etapa) e foi beneficiado pela saída do russo Vladimir Gusev, que impôs um ritmo muito forte e não suportou a carga de esforço. Dessa forma, o brasileiro pulou para a terceira posição e abriu uma boa vantagem sobre o indiano Amit Samarth. Mas o maior desafio ainda estava por vir: a antepenúltima etapa, apelidada de “rainha”, de 1.372 km.

É justamente nesse percurso em que muitos ciclistas desistem de vez da competição. Apesar do cansaço, Mixirica conseguiu completar o trajeto em 55 horas. Nesse período, os ciclistas não dormem. Eles param em alguns momentos para comer e cochilar. O tempo de parada? Não mais que 30 minutos. Enquanto comem, dormem. Cada segundo de olhos fechados é precioso. Quando a fome aperta, se alimentam até mesmo enquanto pedalam. “Comemos com a mão mesmo, como o homem da caverna”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pedala pela manhã e encara o frio e a névoa pela estrada durante a "etapa rainha"

No frio, Mixirica se aproxima de mais uma subida da 13ª etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sono é tanto, que os ciclistas começam a enxergar coisas estranhas pela estrada e ficam fora de si. O dinamarquês Knudsen dava risada sozinho e não conseguia conversar. Já Mixirica via “fantasmas” pela estrada. Além de ser a etapa mais longa da prova, é também a que tem mais subidas. Um convite para entrar em “outro mundo”.

“Você fica maluco, alucinado, anestesiado. Eu parecia um zumbi. Durante o pedal, vi algumas coisas se mexendo, uma placa falando comigo e várias vozes. Pareciam fantasmas conversando comigo. A cabeça fica louca. E mesmo depois da etapa, no hotel, você não consegue dormir. O som dos carros passando e o barulho das bicicletas ficam na sua cabeça”, diz.

Pesquisadores já alertaram que ficar sem dormir por um grande período de tempo pode, de fato, causar alucinações. “Isso é normal. Eu já fiz várias provas de longa distância e já vi muitas coisas, como o King Kong, dinossauro, pessoas batendo palmas para mim, quando na verdade não tinha ninguém na estrada, e até uma base de lançamento de foguete”, diz ele, que frisa não ser invenção. “Isso é sério”.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha

Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

Um Trans-Siberian Extreme no aeroporto

Terminada a prova, Mixirica tinha uma nova aventura: o retorno para o Brasil. Por uma passagem aérea mais barata, já que não tinha dinheiro para pagar R$ 12 mil por uma viagem mais cômoda, ele teve que fazer várias conexões. Foram quatro dias perambulando por aeroportos.

Ficou 24 horas no aeroporto de Vladivostok, local da etapa derradeira do Trans-Siberian Extreme. Depois, foram mais 10 horas em Norilsk, 15 horas em Moscou e 16 horas em Istambul, na Turquia, até chegar em São Paulo. Dormiu em quatro aeroportos diferentes. Com o dinheiro curto, deu o seu jeitinho.

“O hotel em Vladivostok era muito caro e eu aproveitei o táxi que a competição disponibilizou para ir para o aeroporto. Então, eu juntei a comida da competição, como chocolate e amendoim, para se alimentar, e esperava a comida do avião. Dormi no chão mesmo, ao lado de outras pessoas. Às vezes os guardas expulsavam a gente”, diz.

Mixirica se joga no chão para comemorar a finalização do Trans-Siberian Extreme

Mixirica vibra com o terceiro lugar no Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sonho americano

“Foi sofrido, dolorido”, diz Mixirica, mas “valeu a pena”. Não apenas por ter terminado a competição pela terceira vez (e novamente no pódio), mas por poder vestir uma camisa com a bandeira do Brasil e representar o país em uma prova em que pouquíssimos se arriscam a entrar.

“Eu vejo que as pessoas falam que dei orgulho para o Brasil e ficaram felizes. Teve um cara que disse que somos carentes de ídolos e deu para matar um pouco essa carência. Isso me deixa muito feliz. Eu sempre gostei de ajudar as pessoas. É o que mais gosto na vida”, afirma ele.

Agora, ele foca em outro desafio: o Race Cross America, prova de quase 5.000 km que corta os Estados Unidos e acontece em junho de 2019. Para isso, fez até uma vaquinha na internet para ajudar nas despesas. Esta será a décima tentativa dele. “Todo ano morre na praia. Mas eu não desisto. Vou conseguir”. Yes, you will.

Enrolado na bandeira do Brasil e com uma medalha no peito, Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme

Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)