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Bike fit maximiza o desempenho, melhora o conforto e previne lesões

Bike fit maximiza o desempenho, melhora o conforto e previne lesões

O bike fit é um importante método para quem pedala, pois ajusta a bicicleta ao corpo do ciclista, com a finalidade de maximizar o desempenho e a eficiência do pedal, melhorar o conforto e aumentar a segurança, prevenindo lesões.

Recentemente, a Bicicletaria Faria Lima ganhou um importante reforço para oferecer esse serviço na loja: Igor Laguens. Formado em educação física e com certificado do instituto norte-americano SICI (Serotta International Cycling Institute), Igor entende do assunto como poucos.

Em entrevista para o blog, ele explicou as funcionalidades do bike fit e as vantagens de se submeter ao serviço, que pode ser feito na loja mediante o agendamento.

“O bike fit serve tanto para quem vai começar a pedalar como para quem quer ter altíssima performance. A primeira coisa é fazer a bicicleta ficar confortável, evitar lesões, proporcionando um pedal de horas e horas com muita curtição”, disse Igor.

“Para quem busca performance, a gente tenta aproveitar ao máximo aquilo que a bike pode oferecer, seja aerodinâmica, agressividade ou potência. Nesse caso, deixamos de lado um pouquinho o conforto e vamos para a performance. Ajustamos a altura do selim, sapatilha, guidão e todos esses detalhes para poder render mais”, afirmou.

Entrevista e flexibilidade

O primeiro passo do bike fit é a entrevista. Esse processo visa pegar o maior número possível de informações da pessoa, como altura, peso, formato do pé, a sapatilha que ela utiliza, etc. Os dados serão úteis para quando Igor começar o serviço na bicicleta.

Depois da entrevista chega a hora dos testes de flexibilidade. Nesse processo, o bike fitter vai ter uma ideia de problemas que alguma lesão do passado causou, objetivos da pessoa e até aonde ele pode ir na adaptação da bicicleta.

“Não adianta uma pessoa totalmente lesionada querer deixar a bike superagressiva, vai ser incompatível. Ao analisar, se eu ver que a flexibilidade da pessoa é ruim, a gente pode voltar alguns passos, posso indicar algumas coisas que ela pode fazer, para num segundo bike fit bater essas informações de flexibilidade e deixar a bike de uma forma ou de outra”, disse.

Foto do bike fit na loja da Bicicletaria Faria Lima

O bike fit possui uma tecnologia de ponta

Pedal

O bike fit começa, de fato, pelo ponto mais importante, que é o pedal. Primeiro vem o ajuste do taquinho na sapatilha e, então, o bike fitter analisa fatores do membro inferior, como a altura ideal do selim, até chegar ao membro superior, onde entra, por exemplo, a checagem da distância da mesa e do guidão.

“Quanto mais alto o selim, mais força eu vou conseguir colocar no pedal. Vou ainda gerar mais energia, evitando lesão ao distribuir mais as forças, e quanto mais eu coloco peso na frente, mais estabilidade e mais controle da bike eu vou ter”, afirmou.

Dentro dos acertos do bike fit, Igor dá conselhos sobre técnicas importantes para o pedal que potencializam o desempenho e evitam determinadas lesões, fazendo com que a experiência seja sempre muito prazerosa.

“Conforme a pessoa vai pedalando, a gente avalia como ela está indo. Olha, por exemplo, a centralização de força. Não se pode andar com o joelho para dentro nem para fora. Nesse caso, a gente observa se é a mecânica [do ciclista] ou estrutural. Vemos também se ele está com o pé paralelo, porque esse é o ponto mais importante da pedalada, que é onde ele vai jogar toda essa força de quadril e glúteo para baixo”, disse.

Foto do aparelho do bike fit que mede o tamanho do pé do ciclista

O bike fit faz uma análise completa do ciclista

Tecnologia de ponta

O bike fit disponível na loja da Bicicletaria Faria Lima é dotado de tecnologia de ponta, o que leva o ajuste da bicicleta ao mais alto nível. O aparelho integra questões específicas do ciclista, a amplitude de movimento, a flexibilidade e o estilo de pedalada, a fim de otimizar ainda mais o ajuste estático.

É possível fazer uma avaliação em 3D em tempo real. Por meio de um telão, a pessoa consegue ver como ela está posicionada na bicicleta. Com isso, são feitas as adaptações mais precisas. Já os ajustes estáticos traduzem as dimensões do corpo do ciclista em posições de bicicletas para todos os tipos de disciplinas e preferências.

Parte do guidão do bike fit é mostrado, com um telão ao fundo, na loja da Bicicletaria Faria Lima

Por meio de um telão, a pessoa consegue ver como ela está posicionada na bicicleta

As consequências de não fazer o bike fit

Sem o bike fit, que tem duração de cerca de uma hora e meia, o ciclista não conseguirá extrair o máximo de sua bicicleta, seja por ser grande, pequena ou outros fatores. Isso poderá tornar a experiência abaixo do esperado.

“É a mesma coisa que dirigir um carro com o banco muito para trás. Você vai dirigir, mas vai estar estranho. Se eu pegar uma bicicleta de passeio e colocar o guidão reto e para baixo, não vai ficar legal, pois não é a proposta daquela bike. Ajeitar da melhor forma vai evitar lesão e você vai conseguir tirar tudo o que a bicicleta tem”, disse.

De acordo com Igor, o ideal é que se faça o bike fit uma vez por ano. “Nesse período a pessoa pode engordar ou emagrecer, começar a fazer outra atividade física, o que muda um pouco o grupo muscular que ela usa, pode ganhar maior flexibilidade, é possível que tenha que subir o selim. Ou a pessoa simplesmente muda de objetivo. Em adolescente, então, se mexe ainda com maior frequência”, afirmou.

Parte do bike fit na loja da Bicicletaria Faria Lima

Com o bike fit é possível fazer as adaptações mais precisas

Cassio Cortes, do Acelerados, vai visitar a Itália de bicicleta com a Special Trip

Cassio Cortes, do Acelerados, vai visitar a Itália de bicicleta com a Special Trip

Cassio Cortes, apresentador e repórter do programa Acelerados, já começou a sua preparação para viajar em setembro para a “Terra dei Motori” (ou Motor Valley), uma das regiões mais famosas da Itália por sua íntima ligação com a engenharia de motores de alta performance.

A aventura de Cassio Cortes, porém, será um pouco diferente daquela que está acostumado em suas gravações para o Acelerados, que tem um canal no YouTube e passa aos domingos de manhã no SBT. Em vez do carro, ele vai visitar o Motor Valley de bicicleta.

Sim, Cassio Cortes vai pedalar uma 3R3 Aero, da Soul Cycles, fornecida pela Bicicletaria Faria Lima, em uma viagem organizada pela Special Trip, parceira da loja – você pode conferir mais aqui.

Cassio Cortes está sentado em sua bicicleta, a 3R3 Aero, da Soul Cycles, na loja, enquanto Igor Laguens tira as suas medidas para o bike fit

Cassio Cortes faz o bike fit com o acompanhamento de Igor Laguens

“Estamos indo para a ‘Terra dei Motori’ com a Special Trip. É um programa imperdível para quem é acelerado, para quem ama carro, para quem ama ciclismo”, disse Cassio Cortes.

“A gente vai explorar o Vale dos Motores da Itália, nas grandes marcas, como Ferrari e Lamborghini, num passeio ciclístico. Apesar que não vai ser bem um passeio, porque a gente vai puxar um pouquinho com as bikes de alta performance”, afirmou.

Uma superbicicleta na terra dos supermotores

Feita de carbono, a 3R3 Aero é uma bicicleta de estrada de alto rendimento, possui uma rigidez elevada e quadro aerodinâmico. Seus tubos são projetados para atingir grandes velocidades. A de Cassio Cortes vem equipada com rodas Mavic Aksium, componentes Controltech e câmbio Ultegra.

A bicicleta Soul 3R3 Aero, de Cassio Cortes, na loja da Bicicletaria Faria Lima

A Soul 3R3 Aero, do Cassio Cortes

Para se adaptar perfeitamente à bicicleta, o apresentador fez o bike fit com Igor Laguens, novo integrante da equipe da Bicicletaria Faria Lima e que atenderá na loja a todos que tenham interesse no serviço.

“Cara, estou muito feliz. Fiz um bike fit como eu nunca tinha feito. Parece que realmente a bike vestiu. Está é minha primeira bicicleta de carbono, então se a performance não melhorar, não vai ser por culpa da bike, vai ser por culpa do piloto [risos]”, afirmou.

Na Terra dei Motori, que fica na região da Emilia Romagna, no norte da Itália, Cassio Cortes e sua Soul Cycles vão se misturar a grandes marcas do automobilismo. Lá estão fábricas e museus de montadoras como Ferrari, Lamborghini, Maserati, Pagani e Ducati.

Foto da fachada do Museu Enzo Ferrari, no Motor Valley

Museu Enzo Ferrari, que fica no Motor Valley (divulgação)

Cassio Cortes conhece bem todas essas marcas, mas a bicicleta também está presente em sua vida há muito tempo.

“O meu pai fazia triatlo quando eu era bem novo, entre os 8 e 15 anos, então sempre tive uma bike speed em casa e sempre gostei de andar. Nunca fui um cara muito dedicado, no sentido de fazer provas, mas gosto de road bikes”, disse.

Cassio Cortes e a volta rápida

Antes de viajar para a Itália, Cassio Cortes terá outro desafio. Ele vai ocupar o lugar de Rubens Barrichello e gravar mais um “Volta Rápida”, quadro em que o piloto estabelece um ranking entre carros. Agora, porém, a história será um pouco diferente. Na vaga do automóvel entra a 3R3 Aero.

O desafio será no famoso autódromo Velo Città, localizado em Mogi Guaçu, que fica a cerca de 200 km de distância da capital paulista. A meta? Terminar o trajeto de 3.493 metros na casa de 4 minutos.

O circuito tem 14 curvas, 15 postos de sinalização e apresenta um desnível de 45 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo da pista. O autódromo é homologado pela FIA (Fédération Internationale de l’Automobile) e pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

Imagem aérea do Velo Città

Imagem aérea do Velo Città (divulgação)

“Nutrição no ciclismo é a base de tudo”, diz nutricionista Breno Sidoti

“Nutrição no ciclismo é a base de tudo”, diz nutricionista Breno Sidoti

“Nutrição no ciclismo é a base de tudo, assim como é para todos os seres humanos”. É dessa forma que o nutricionista Breno Sidoti define a importância da alimentação nesse esporte. Ser ciclista requer uma preparação muito bem detalhada, que vai do preparo físico ao psicológico, do bom descanso à nutrição mais adequada.

Sidoti possui muita experiência nesse ramo. Ele teve diversas conquistas como ciclista profissional, entre elas a Copa América de 2011. Participou também do Mundial de Madri e dos Jogos Panamericanos de 2013, além de competir por dois anos na Itália. Hoje, ele é pós-graduado em nutrição esportiva e trabalha com atletas amadores e profissionais, incluindo a equipe Funvic de Ciclismo.

Foi exatamente na Itália que ele percebeu o quanto é importante a nutrição no ciclismo. “Eu nunca tinha passado por uma experiência como aquela. Lá eles levam isso muito a nutrição no ciclismo”, diz ele, que trabalhou como nutricionista em grandes competições, como a Volta de Portugal, Clássica de Ordízia (na Espanha) e Tour da Turquia.

Nutrição no ciclismo: dois ciclistas da equipe de triatlo da BMC estão sentados em um banco comendo uma barra de cereal

Ciclistas da equipe de triatlo da BMC se alimentam durante treino (@bmcvifittri)

A grande exigência da nutrição no ciclismo

Sidoti trabalha com nadadores, jogadores de futebol, maratonistas, ciclistas e até lutadores. De acordo com ele, esses três últimos são os que mais exigem uma preparação alimentícia adequada para a prática do esporte.

“Os três dependem muito do peso. O maratonista, além das lesões, se tiver muito pesado, não vai ter um bom rendimento, assim como no ciclismo. O lutador, se tiver muito fora do peso, ou vai apanhar muito ou não vai conseguir estar na categoria exata”, afirma Sidoti.

Ele ressalta, porém, que não tem como fazer um cardápio geral para todos os ciclistas. O atendimento deve ser individual, uma vez que cada perfil necessita de um tipo específico de preparação.

“No caso da nutrição no ciclismo nós focamos no desempenho, que é o que todo mundo quer ter. Vemos antes os objetivos que ele quer atingir. Sempre programamos para ele ter o máximo de energia. Existem vários caminhos. Depende do atleta. Se precisa emagrecer, fazemos ele emagrecer e ganhar performance. Se está num nível bom, buscamos ainda mais performance”, diz.

Na dieta, o nutricionista conta que recomenda gordura saudável, já que é uma fonte de energia, além de carboidrato, vitamina e proteína. As proporções variam de acordo com alguns fatores, como o objetivo e o biótipo do ciclista.

Nutrição no ciclismo: O dinamarquês Michael Knudsen toma um energético em uma van durante uma etapa do Trans-Siberian

O dinamarquês Michael Knudsen durante etapa do Trans-Siberian (Pavel Sukhorukov/Red Bull Content Pool)

A nutrição para cada perfil

O nutricionista cita o britânico Chris Froome e o eslovaco Peter Sagan para dar como exemplo as diferenças de alimentação. O primeiro é um escalador, consequentemente mais magro, enquanto o segundo é um velocista, mais forte e com mais massa muscular.

“São dois extremos dessa nutrição no ciclismo. Froome tem uma dieta mais rigorosa e maluca para ficar bem magro, mas nas competições ele come muito. Já a dieta do Sagan é rica em carboidrato, proteína e gordura e é muito mais livre. Ficar um pouco mais pesado para ele é até bom”, afirma.

Um escalador tem uma dieta mais efetiva, come mais próximo da prova alimentos com carboidrato para ter energia suficiente. É algo bem mais regrado.

O sprinter, por sua vez, precisa de potência. “Aqui eu não restrinjo o carboidrato, porque é onde tem a fonte de energia, e ele precisa disso. Carrego o sprinter com muito carboidrato, porque ele necessitará de força. A dieta é mais liberada, se come muito mais”, afirma Sidoti.

No caso do passista, o nutricionista ressalta que se trata de um meio termo. Ele come uma “quantidade bacana”, mas que não pode estar “nem muito pesado nem muito leve”.

Alimentação para cada etapa

Há um tipo específico de alimentação para cada etapa da prova: antes, durante e depois. Sidoti explica (abaixo) como funciona, no geral, a dieta para cada uma dessas fases.

Lembre-se, porém, que é importante não esperar ficar com fome para se alimentar enquanto pedala, já que você perderá desempenho e força e pode ter o catabolismo muscular (degradação de proteína muscular para fornecer energia ao organismo).

Antes
“Normalmente se coloca carboidrato, para dar energia, pois o atleta vai precisar, e proteína de fácil digestão para não passar mal durante a prova. Aqui é onde normalmente entram ovos mexidos, por exemplo”.

Durante
“A gente tem que dosar a quantidade de carboidrato. Aqui fica a média de 30 a 60 gramas de carboidrato por hora, para manter o desempenho do atleta. Uma banana grande tem 30 gramas de carboidrato. Tem também gel especializado, os pós que você pode colocar numa garrafa para diluir e preparações caseiras. Uso bastante a famosa bisnaguinha com pasta de amendoim, ou bisnaguinha com doce, que pode ser geleia, goiabada, cream cheese. Tem que variar entre doce e salgado”.

Pós
“Nós nos preocupamos em repor a energia que esse atleta perdeu para ele ter uma recuperação mais rápida possível. Vai entrar carboidrato e proteína. São 4 gramas de carboidrato para uma grama de proteína. Só não pode exagerar. Tem que ser uma quantidade pequena de proteína para ser o suficiente para recuperar a musculatura. Você fica zerado para outro treino ou prova”.

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer tem mais de 20 anos de experiência no ciclismo, sendo 13 como profissional, disputou cinco Olimpíadas, esteve presente nos três principais campeonatos (Tour de France, Giro d’Italia e Vuelta a España) e ganhou diversos títulos, como o Mundial e o Campeonato Brasileiro de Estrada. Tudo isso, agora, está personificado em uma bicicleta: Murilo Fischer Limited Edition.

O lançamento da nova bike da Soul Cycles aconteceu na última quinta-feira (13), em um evento realizado na loja da Bicicletaria Faria Lima. Murilo Fischer esteve presente para apresentar a novidade ao lado do presidente da marca, André Maior, e o seu sócio, João Paulo Diniz.

Murilo Fischer reuniu o que há de melhor no ciclismo de estrada para produzir a bicicleta e usou toda a sua experiência vivida no esporte para atingir um nível de excelência. O resultado? “Uma obra de arte”, disse ele.

Detalhes do garfo e do quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition

A nova bicicleta da Soul, Murilo Fischer Limited Edition, pesa menos que 6 kg

Uma bicicleta com a alma de Murilo Fischer

Murilo Fischer começou a pedalar com 15 anos e se tornou um dos ciclistas mais importantes que o Brasil já teve. Ele passou por equipes internacionais e é o único brasileiro a ter completado o Tour de France por três vezes e o Giro d’Italia, por quatro. Toda essa paixão pelo esporte foi transportada para a nova bicicleta.

“Ela tem a minha personalidade, uma ligação comigo, detalhes da minha carreira. É uma bike prazerosa. Eu coloquei nela todo o amor que tenho pelo ciclismo. Tem a minha alma e foi feita para quem ama ciclismo. Eu gostaria que quem a comprasse, sentisse o mesmo prazer de pedalar como eu a desenvolvi”, disse o ex-ciclista.

Duas bicicletas Murilo Fischer Limited Edition expostas em nossa loja

A bicicleta Murilo Fischer Limited Edition durante o evento de lançamento

Murilo Fischer se aposentou em 2016, depois da Olimpíada do Rio de Janeiro, e hoje exerce importante papel no grupo de desenvolvimento das bicicletas da Soul. A Limited Edition, aliás, foi toda pensada por ele. Entre os primeiros rabiscos e a finalização, o processo de produção da bicicleta durou um ano e meio.

“Eu que escolhi os componentes, os detalhes, participei da montagem, da pintura. Botei a mão na massa. Fiz questão de participar de tudo, desde o fazer até o organizar, escolher os materiais. Queria transmitir esse amor que tenho por bicicleta para a pessoa que irá usá-la”, afirmou ele.

Bicicleta pendurada na parede com destaque para as rodas Lightweight

A bicicleta é equipada com rodas Lightweight

A Limited Edition foi desenvolvida nos mínimos detalhes, muito por causa de Murilo Fischer, cuidadoso ao extremo na escolha dos componentes e no design, exatamente como era em seus tempos de profissional, como contou o presidente da Soul, André Maior.

“Demos total liberdade para ele. Queríamos que ele se identificasse com o produto. Uma coisa que me chamou a atenção é que o Murilo é muito detalhista. E era isso que eu queria. A Soul não nasceu para ser a maior marca nacional, mas insisto em dizer que queremos ser a melhor. Esse é o nosso objetivo. Estou muito orgulhoso e satisfeito com o resultado que estamos tendo”, disse.

O quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition, visto em um ambiente escuro

O quadro da bicicleta visto em um ambiente escuro

Os melhores componentes

Para representar um dos maiores ciclistas do Brasil, a bicicleta teria que receber os melhores componentes, possuir um design exclusivo e ser especial – ou limitada, como é o caso. Dessa forma, foram produzidas apenas dez unidades. O preço? R$ 49,900.

A bicicleta pesa apenas 5,9 kg (a mais leve da Soul), é equipada com rodas Lightweight (indubitavelmente, as melhores do mundo) e possui grupo da marca Sram sem fio, selim da Selle Italia de 60 gramas (o normal pesa 200 gramas) e mesa Controltech. O quadro é feito de carbono.

Detalhe da corrente da bicicleta Murilo Fischer Limited Edition

O processo de desenvolvimento da bicicleta demorou um ano e meio

“A gente conseguiu juntar tudo isso e fazer essa bicicleta com menos de 6 kg com peças comerciais. Tem o melhor do que existe no ciclismo de estrada. É leve, rígida, para extrema performance. Ficou tudo dentro do nosso objetivo”, afirmou.

A pintura da bicicleta possui vários detalhes. No quadro, por exemplo, ela tem os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas (Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). O ex-ciclista citou ainda a “cor camaleão”. No escuro, o verde ganha um destaque surpreendente.

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas estão pintados no quadro da nova bicicleta

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas

“É uma combinação bem bacana e moderna e são cores que chamam atenção na estrada. Tem um azul que a gente não consegue enxergar de longe, mas, chegando perto, você percebe. Os anos das Olimpíadas ganham um brilho diferente no sol. É show”, disse.

A missão de oferecer uma bicicleta única, inspirada em uma carreira de muito sucesso como a de Murilo Fischer, foi cumprida. E o ex-ciclista sabe bem disso. “Para mim, depois de tantos anos no ciclismo, eu considero como a minha primeira vitória nessa nova fase”.

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento de lançamento da Soul Limited Edition

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento

“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

Passados 11 dias do fim do Trans-Siberian Extreme, quando Mixirica concedeu esta entrevista, ele ainda sentia dores, pedalava inconscientemente, tentava alcançar os adversários enquanto dormia e acordava suado. Tais perturbações são reflexos de mais uma participação na prova de ciclismo mais difícil do mundo. No caso, a terceira – esteve também em 2016 e 2017.

“Quando acaba o Trans-Siberian Extreme, temos uns 15 dias de trauma pós-guerra. Ainda sinto todos os sintomas que eu sentia enquanto estava lá pedalando. Às vezes, enquanto estou andando, fico preocupado com um ataque de algum ciclista. É um negócio louco”, diz Mixirica.

Assim como nas outras duas oportunidades no Trans-Siberian Extreme, o ciclista, que levou para a Rússia duas bicicletas da Soul Cycles, terminou na terceira colocação. Percorreu o trajeto de 9.100 km em 346 horas, num total de 25 dias. Ficou atrás apenas do alemão Pierre Bischoff, que fechou a prova em 315 horas, e do dinamarquês Michael Knudsen (333 horas), que usou uma BMC.

O Trans-Siberian Extreme 2018 teve 15 etapas. Começou em Moscou e terminou em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia. Os ciclistas atravessaram 5 diferentes zonas climáticas e 7 fusos horários. São, no total, 79 km de subida. “Nem eu sei como tenho coragem”, afirma Mixirica.

Com a sua Soul Cycles, Mixirica passa por um corredor e cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

A batalha pela inscrição

A exemplo do ano passado, tudo aconteceu de forma repentina. Faltando duas semanas para o início do Trans-Siberian Extreme, Mixirica não sabia se conseguiria participar por causa das condições financeiras. De todo modo, embarcou para a Rússia a uma semana da largada.

Dessa vez, além de ir sem a passagem aérea da volta comprada, ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a inscrição (30 mil euros, ou R$ 144 mil, na cotação atual). Já na Rússia, pediu ajuda a um patrocinador da competição e amigos.

“Eu fui mesmo sem ter lugar no Trans-Siberian Extreme, não tinha certeza da minha participação. O chefão [Paul Bruck, organizador da competição] quase me tirou. Lá não tem ‘boi’. Você paga ou está fora. Conversei com o pessoal e, no fim das contas, deu certo. Caso contrário, eu ficaria chupando o dedo em Moscou”, diz ele.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica passa ao lado de um caminhão em etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica lidera o pelotão durante a oitava etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As dores de estômago e a fuga do médico

Mixirica conseguiu pagar a inscrição, mas apenas depois de seis etapas. Dessa forma, ele teve que lidar com a pressão de conseguir dinheiro para continuar na prova e não ser desclassificado nos primeiros dias. Preocupado, teve o seu psicológico afetado e sofreu com as dores de estômago.

“Eu fiquei muito mal. O Paul [Bruck] veio me cobrar depois de três etapas e isso me apavorou. Foi muito estressante e interferiu na prova. Chegaram a me dar um soro, mas, por um erro da equipe, aplicaram uma quantidade muito grande, o que afetou o meu estômago. Eu fiquei inchado”, afirma.

“O médico quase me tirou. Disse que eu não podia continuar daquele jeito. Eu tive que ‘fugir’ dele. Foi uma soma de coisas que me fez mal: o soro, o sono e a carga de preocupação. Tudo o que eu comia, eu vomitava. Mesmo assim, não parei. Vomitava mesmo pedalando. Nas primeiras etapas, eu pedalei sem nutrientes no corpo. Depois, melhorei aos poucos. Acho que foi a bicicleta que me curou”, diz, aos risos.

Mixirica segura um pote com comida enquanto tenta cochilar no Trans-Siberian Extreme

Mixirica come e tenta, ao mesmo tempo, cochilar (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As condições climáticas

Além do extenuante percurso e de todo o estresse da inscrição, Mixirica se deparou ainda com a rigorosa condição climática. A chuva foi um fator crucial durante as primeiras etapas da prova, que não para nem com temporal nem com uma temperatura negativa.

“Choveu forte nas primeiras etapas, aquela chuva fria, e chegou a ficar -4ºC, já chegando na Sibéria. Foi terrível. Eu cheguei a colocar duas luvas, mas ainda sentia a mão congelada. E vinham aquelas névoas que tapavam totalmente a visão. A lanterna da bicicleta ajudava, mas passei por muitos buracos”, afirma. Nessas regiões é comum fazer calor (algo em torno de 25ºC) durante o dia e frio pela noite.

O vento é outro fator importante e que pode fazer com que o ciclista perca um tempo precioso nas etapas. Por isso, acompanhar o pelotão se faz necessário. “O vento é muito forte. Ele vem lateralmente. Se você sai do vácuo, fica lá para trás. É igual paraquedas. Então, quando está no pelotão, você reveza”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Bem protegido do frio, Mixirica bebe água e ouve instruções da sua equipe

Mixirica se protege do frio como pode em etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

55 horas sem parar na “etapa rainha”

Nas sete primeiras etapas, Mixirica se manteve bem na quarta colocação (venceu, inclusive, a quarta etapa) e foi beneficiado pela saída do russo Vladimir Gusev, que impôs um ritmo muito forte e não suportou a carga de esforço. Dessa forma, o brasileiro pulou para a terceira posição e abriu uma boa vantagem sobre o indiano Amit Samarth. Mas o maior desafio ainda estava por vir: a antepenúltima etapa, apelidada de “rainha”, de 1.372 km.

É justamente nesse percurso em que muitos ciclistas desistem de vez da competição. Apesar do cansaço, Mixirica conseguiu completar o trajeto em 55 horas. Nesse período, os ciclistas não dormem. Eles param em alguns momentos para comer e cochilar. O tempo de parada? Não mais que 30 minutos. Enquanto comem, dormem. Cada segundo de olhos fechados é precioso. Quando a fome aperta, se alimentam até mesmo enquanto pedalam. “Comemos com a mão mesmo, como o homem da caverna”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pedala pela manhã e encara o frio e a névoa pela estrada durante a "etapa rainha"

No frio, Mixirica se aproxima de mais uma subida da 13ª etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sono é tanto, que os ciclistas começam a enxergar coisas estranhas pela estrada e ficam fora de si. O dinamarquês Knudsen dava risada sozinho e não conseguia conversar. Já Mixirica via “fantasmas” pela estrada. Além de ser a etapa mais longa da prova, é também a que tem mais subidas. Um convite para entrar em “outro mundo”.

“Você fica maluco, alucinado, anestesiado. Eu parecia um zumbi. Durante o pedal, vi algumas coisas se mexendo, uma placa falando comigo e várias vozes. Pareciam fantasmas conversando comigo. A cabeça fica louca. E mesmo depois da etapa, no hotel, você não consegue dormir. O som dos carros passando e o barulho das bicicletas ficam na sua cabeça”, diz.

Pesquisadores já alertaram que ficar sem dormir por um grande período de tempo pode, de fato, causar alucinações. “Isso é normal. Eu já fiz várias provas de longa distância e já vi muitas coisas, como o King Kong, dinossauro, pessoas batendo palmas para mim, quando na verdade não tinha ninguém na estrada, e até uma base de lançamento de foguete”, diz ele, que frisa não ser invenção. “Isso é sério”.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha

Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

Um Trans-Siberian Extreme no aeroporto

Terminada a prova, Mixirica tinha uma nova aventura: o retorno para o Brasil. Por uma passagem aérea mais barata, já que não tinha dinheiro para pagar R$ 12 mil por uma viagem mais cômoda, ele teve que fazer várias conexões. Foram quatro dias perambulando por aeroportos.

Ficou 24 horas no aeroporto de Vladivostok, local da etapa derradeira do Trans-Siberian Extreme. Depois, foram mais 10 horas em Norilsk, 15 horas em Moscou e 16 horas em Istambul, na Turquia, até chegar em São Paulo. Dormiu em quatro aeroportos diferentes. Com o dinheiro curto, deu o seu jeitinho.

“O hotel em Vladivostok era muito caro e eu aproveitei o táxi que a competição disponibilizou para ir para o aeroporto. Então, eu juntei a comida da competição, como chocolate e amendoim, para se alimentar, e esperava a comida do avião. Dormi no chão mesmo, ao lado de outras pessoas. Às vezes os guardas expulsavam a gente”, diz.

Mixirica se joga no chão para comemorar a finalização do Trans-Siberian Extreme

Mixirica vibra com o terceiro lugar no Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sonho americano

“Foi sofrido, dolorido”, diz Mixirica, mas “valeu a pena”. Não apenas por ter terminado a competição pela terceira vez (e novamente no pódio), mas por poder vestir uma camisa com a bandeira do Brasil e representar o país em uma prova em que pouquíssimos se arriscam a entrar.

“Eu vejo que as pessoas falam que dei orgulho para o Brasil e ficaram felizes. Teve um cara que disse que somos carentes de ídolos e deu para matar um pouco essa carência. Isso me deixa muito feliz. Eu sempre gostei de ajudar as pessoas. É o que mais gosto na vida”, afirma ele.

Agora, ele foca em outro desafio: o Race Cross America, prova de quase 5.000 km que corta os Estados Unidos e acontece em junho de 2019. Para isso, fez até uma vaquinha na internet para ajudar nas despesas. Esta será a décima tentativa dele. “Todo ano morre na praia. Mas eu não desisto. Vou conseguir”. Yes, you will.

Enrolado na bandeira do Brasil e com uma medalha no peito, Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme

Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Entender o que a bicicleta significa para Marcelo Florentino Soares, mais conhecido como Mixirica, não é difícil. Basta exatamente um minuto de entrevista para ele, de forma bem natural, explicar: “É como parte do meu corpo, minhas asas”. Suas aventuras no pedal, seja no interior de São Paulo, em Minas ou no Trans-Siberian, provam isso.

De origem humilde, Mixirica, atualmente com 45 anos, quebrou prognósticos. Não exatamente por ter atravessado o Brasil em 2015, do Monte Caburaí, fronteira do Brasil com a Guiana, até o Chuí, divisa com o Uruguai, em um trajeto de aproximadamente 10.400 km, em 57 dias, sem apoio – somente ele e as bagagens. O seu grande desafio foi em outro país: a Rússia.

Mixirica participou do Trans-Siberian Extreme, a prova de ciclismo mais longa do mundo, em 2016 e 2017. São 14 etapas em apenas 24 dias, em um total de 9.211 km. A rota é três vezes maior do que o Tour de France. A edição do ano passado teve um total de 79.000 metros de ascensão. Dez ciclistas participaram do desafio. Apenas três chegaram até o fim, entre eles, o paulista, em 326 horas.

Com uniforme amarelo, Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/ RED BULL CONTENT POOL)

O dinheiro contado e o hambúrguer por pizza

Tanto em 2016 como em 2017, Mixirica conseguiu se inscrever e comprar passagens de avião para a prova com a ajuda de amigos, parceiros e familiares.

No ano retrasado, porém, quase ficou fora. Ele conta que só conseguiu o dinheiro da passagem um dia antes de embarcar. Foi para a Rússia com apenas R$ 50 no bolso – a partir do momento em que o ciclista entra na competição, tudo é pago pela organização.

“Eu fui com R$ 50 e voltei com os R$ 50. Se eu saísse da prova, estava ferrado, porque teria que arcar com tudo. Caso eu pifasse, morreria por lá. Então isso me dava ainda mais força. Fui me arrastando até o final. Minha vida no ciclismo sempre foi assim, no fim da rabiola”, disse Mixirica.

Em um clima bem frio, Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

O idioma foi um dos principais empecilhos. Ele não fala inglês, muito menos russo. Em 2016, quando viajou sem apoio, enfrentou dificuldades para comer fora da competição. “Às vezes eu pedia uma pizza e vinha um hambúrguer, ou então um suco de laranja e vinha outro. Ficava meia-hora para fazer um pedido”.

Durante a prova, há um restaurante móvel. A cada 200 km, eles param para alimentação. Ciclistas que participam deste tipo de prova costumam ingerir cerca de 15 mil calorias por dia. Isso equivale, por exemplo, a 150 bananas, 60 pedaços de pizza ou 200 ovos.

Comida à parte, a falta do inglês não foi um problema durante a prova. “Tem a linguagem do ciclismo, e a gente já sabe tudo o que tem que fazer lá. Já é acostumado. Desde limpar a bike a fazer um acerto, o cara já sabe. A bicicleta é universal”, afirmou o paulista, que em 2017 contou com um apoio para o ajudar.

Mixirica segura um cartaz com a quilometragem total da prova e o número de etapas após o término da competição

Mixirica após terminar a prova em 2017 (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

O frio, as dores e a microcirurgia no Trans-Siberian

Ao atravessar a Rússia, os ciclistas passam por cinco zonas climáticas diferentes e sete fusos horários, em etapas que vão de 310 km a 1.386 km (esta última foi vencida pelo russo Alexey Shchebelin, em mais de 52 horas). Mixirica chegou a pegar uma temperatura de 2°C negativos e uma etapa com chuva durante os 700 km, segundo ele.

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio enquanto é perseguido por outros três ciclistas

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

“A prova acontece seja no dia, na noite, na madrugada, no frio, na chuva ou no calor. Só paramos quando acaba a etapa. É muito sofrimento. Os gringos pedalavam em -2°C de camiseta, enquanto eu me vestia com um monte de blusas”, afirmou.

Mixirica pedala entre dois outros ciclistas em meio à forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica enfrenta a forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

As dores o acompanharam da primeira etapa até o fim. “Dói o corpo todo. Costas, pescoço, a mão esfarela, vira bolha. É um negócio louco”. Durante a competição, ele chegou a passar por uma microcirurgia nas nádegas, feita em um carro móvel. Logo depois, já voltou a pedalar.

“O corte começou já na primeira etapa. Já vai assando tudo por causa do atrito. Eu andava na pontinha do banco. Os ciclistas viravam a bermuda do avesso. Nem o forro aguentava. Não existe bermuda no mundo que aguente esta prova, não dá para conter cortes e assadura”, disse.

Mixirica tira um raro cochilo em um carro durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica tira um raro cochilo durante uma etapa do Trans-Siberian (PAVEL SUKHORUKOV/RED BULL CONTENT POOL)

Luta para superar os rivais

Dos dez ciclistas que participaram da prova em 2017, sete eram europeus, que dominam o esporte. Para Mixirica, o maior desafio não foi suportar o extenuante percurso, mas, sim, superar os rivais.

“Há os ataques no ciclismo, igual a uma luta de boxe. Eles tentam te largar, te deixar na estrada, possuem tática. Deram muita pancada”, disse o brasileiro, que ressaltou ainda que chegou a pedir intervenção da organização depois que Shchebelin jogou um objeto em sua direção.

Pedalando à noite, Mixirica pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa

Mixirica (esq.) pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

“Eles estavam com uma ‘metralhadora’, mas eu quase acabei com a vida deles com uma [arma calibre] 38. No meio da etapa, eu pedi para não atacarem, mas não me respeitaram e me atacaram. No final, o alemão que me pediu. Eu fui honesto e não ataquei”, afirmou.

Reconhecimento

Mixirica, que ganhou esse apelido por ter sido “flagrado”, ainda nos anos 1990, levando uma sacola com a fruta para uma competição e, depois, por ter deixado as mexericas voarem do seu bolso durante uma prova, nasceu em São Paulo e teve o seu primeiro contato com uma bicicleta aos cinco anos de idade.

Porém, só foi aprender a pedalar aos 11. Já participou de inúmeras provas, mas, por falta de condições financeiras e patrocinadores, teve que abdicar de muitas outras.

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Alexey Shchebelin e do alemão Pierre Bischoff em uma mureta após o fim do Trans-Siberian

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Shchebelin e do alemão Bischoff (VOLODYA VORONIN/RED BULL CONTENT POOL)

De todo modo, ele carrega consigo a certeza de que cumpriu bem o seu papel na Rússia. Com isso, ganhou notoriedade. Segundo ele próprio, a prova é como “uma benção” em sua vida. Em evidência, espera que consiga novos rumos em sua carreira de ciclista, mesmo que, com 45 anos, o tempo também seja um adversário.

“Eu vivo do ciclismo. É a única coisa que sei fazer. Nunca deram valor para mim e eu quero ser reconhecido. Em 2016, não acreditaram muito. Em 2017, provei que sou especialista em longa distância. Representei bem o Brasil. Eu tenho orgulho de ver o que fiz na Rússia”. Nós também, Mixirica.

De capacete, Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia

Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)