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“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

“Fantasmas”, frio de -4ºC e dores: a nova saga de Mixirica no Trans-Siberian Extreme

Passados 11 dias do fim do Trans-Siberian Extreme, quando Mixirica concedeu esta entrevista, ele ainda sentia dores, pedalava inconscientemente, tentava alcançar os adversários enquanto dormia e acordava suado. Tais perturbações são reflexos de mais uma participação na prova de ciclismo mais difícil do mundo. No caso, a terceira – esteve também em 2016 e 2017.

“Quando acaba o Trans-Siberian Extreme, temos uns 15 dias de trauma pós-guerra. Ainda sinto todos os sintomas que eu sentia enquanto estava lá pedalando. Às vezes, enquanto estou andando, fico preocupado com um ataque de algum ciclista. É um negócio louco”, diz Mixirica.

Assim como nas outras duas oportunidades no Trans-Siberian Extreme, o ciclista, que levou para a Rússia duas bicicletas da Soul Cycles, terminou na terceira colocação. Percorreu o trajeto de 9.100 km em 346 horas, num total de 25 dias. Ficou atrás apenas do alemão Pierre Bischoff, que fechou a prova em 315 horas, e do dinamarquês Michael Knudsen (333 horas), que usou uma BMC.

O Trans-Siberian Extreme 2018 teve 15 etapas. Começou em Moscou e terminou em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia. Os ciclistas atravessaram 5 diferentes zonas climáticas e 7 fusos horários. São, no total, 79 km de subida. “Nem eu sei como tenho coragem”, afirma Mixirica.

Com a sua Soul Cycles, Mixirica passa por um corredor e cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica cumprimenta pessoas no início da última etapa do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

A batalha pela inscrição

A exemplo do ano passado, tudo aconteceu de forma repentina. Faltando duas semanas para o início do Trans-Siberian Extreme, Mixirica não sabia se conseguiria participar por causa das condições financeiras. De todo modo, embarcou para a Rússia a uma semana da largada.

Dessa vez, além de ir sem a passagem aérea da volta comprada, ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a inscrição (30 mil euros, ou R$ 144 mil, na cotação atual). Já na Rússia, pediu ajuda a um patrocinador da competição e amigos.

“Eu fui mesmo sem ter lugar no Trans-Siberian Extreme, não tinha certeza da minha participação. O chefão [Paul Bruck, organizador da competição] quase me tirou. Lá não tem ‘boi’. Você paga ou está fora. Conversei com o pessoal e, no fim das contas, deu certo. Caso contrário, eu ficaria chupando o dedo em Moscou”, diz ele.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica passa ao lado de um caminhão em etapa do Trans-Siberian Extreme

Mixirica lidera o pelotão durante a oitava etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As dores de estômago e a fuga do médico

Mixirica conseguiu pagar a inscrição, mas apenas depois de seis etapas. Dessa forma, ele teve que lidar com a pressão de conseguir dinheiro para continuar na prova e não ser desclassificado nos primeiros dias. Preocupado, teve o seu psicológico afetado e sofreu com as dores de estômago.

“Eu fiquei muito mal. O Paul [Bruck] veio me cobrar depois de três etapas e isso me apavorou. Foi muito estressante e interferiu na prova. Chegaram a me dar um soro, mas, por um erro da equipe, aplicaram uma quantidade muito grande, o que afetou o meu estômago. Eu fiquei inchado”, afirma.

“O médico quase me tirou. Disse que eu não podia continuar daquele jeito. Eu tive que ‘fugir’ dele. Foi uma soma de coisas que me fez mal: o soro, o sono e a carga de preocupação. Tudo o que eu comia, eu vomitava. Mesmo assim, não parei. Vomitava mesmo pedalando. Nas primeiras etapas, eu pedalei sem nutrientes no corpo. Depois, melhorei aos poucos. Acho que foi a bicicleta que me curou”, diz, aos risos.

Mixirica segura um pote com comida enquanto tenta cochilar no Trans-Siberian Extreme

Mixirica come e tenta, ao mesmo tempo, cochilar (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

As condições climáticas

Além do extenuante percurso e de todo o estresse da inscrição, Mixirica se deparou ainda com a rigorosa condição climática. A chuva foi um fator crucial durante as primeiras etapas da prova, que não para nem com temporal nem com uma temperatura negativa.

“Choveu forte nas primeiras etapas, aquela chuva fria, e chegou a ficar -4ºC, já chegando na Sibéria. Foi terrível. Eu cheguei a colocar duas luvas, mas ainda sentia a mão congelada. E vinham aquelas névoas que tapavam totalmente a visão. A lanterna da bicicleta ajudava, mas passei por muitos buracos”, afirma. Nessas regiões é comum fazer calor (algo em torno de 25ºC) durante o dia e frio pela noite.

O vento é outro fator importante e que pode fazer com que o ciclista perca um tempo precioso nas etapas. Por isso, acompanhar o pelotão se faz necessário. “O vento é muito forte. Ele vem lateralmente. Se você sai do vácuo, fica lá para trás. É igual paraquedas. Então, quando está no pelotão, você reveza”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Bem protegido do frio, Mixirica bebe água e ouve instruções da sua equipe

Mixirica se protege do frio como pode em etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

55 horas sem parar na “etapa rainha”

Nas sete primeiras etapas, Mixirica se manteve bem na quarta colocação (venceu, inclusive, a quarta etapa) e foi beneficiado pela saída do russo Vladimir Gusev, que impôs um ritmo muito forte e não suportou a carga de esforço. Dessa forma, o brasileiro pulou para a terceira posição e abriu uma boa vantagem sobre o indiano Amit Samarth. Mas o maior desafio ainda estava por vir: a antepenúltima etapa, apelidada de “rainha”, de 1.372 km.

É justamente nesse percurso em que muitos ciclistas desistem de vez da competição. Apesar do cansaço, Mixirica conseguiu completar o trajeto em 55 horas. Nesse período, os ciclistas não dormem. Eles param em alguns momentos para comer e cochilar. O tempo de parada? Não mais que 30 minutos. Enquanto comem, dormem. Cada segundo de olhos fechados é precioso. Quando a fome aperta, se alimentam até mesmo enquanto pedalam. “Comemos com a mão mesmo, como o homem da caverna”, afirma.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pedala pela manhã e encara o frio e a névoa pela estrada durante a "etapa rainha"

No frio, Mixirica se aproxima de mais uma subida da 13ª etapa do Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sono é tanto, que os ciclistas começam a enxergar coisas estranhas pela estrada e ficam fora de si. O dinamarquês Knudsen dava risada sozinho e não conseguia conversar. Já Mixirica via “fantasmas” pela estrada. Além de ser a etapa mais longa da prova, é também a que tem mais subidas. Um convite para entrar em “outro mundo”.

“Você fica maluco, alucinado, anestesiado. Eu parecia um zumbi. Durante o pedal, vi algumas coisas se mexendo, uma placa falando comigo e várias vozes. Pareciam fantasmas conversando comigo. A cabeça fica louca. E mesmo depois da etapa, no hotel, você não consegue dormir. O som dos carros passando e o barulho das bicicletas ficam na sua cabeça”, diz.

Pesquisadores já alertaram que ficar sem dormir por um grande período de tempo pode, de fato, causar alucinações. “Isso é normal. Eu já fiz várias provas de longa distância e já vi muitas coisas, como o King Kong, dinossauro, pessoas batendo palmas para mim, quando na verdade não tinha ninguém na estrada, e até uma base de lançamento de foguete”, diz ele, que frisa não ser invenção. “Isso é sério”.

Trans-Siberian Extreme: Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha

Mixirica pega o vácuo do dinamarquês Michael Knudsen durante a etapa rainha (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

Um Trans-Siberian Extreme no aeroporto

Terminada a prova, Mixirica tinha uma nova aventura: o retorno para o Brasil. Por uma passagem aérea mais barata, já que não tinha dinheiro para pagar R$ 12 mil por uma viagem mais cômoda, ele teve que fazer várias conexões. Foram quatro dias perambulando por aeroportos.

Ficou 24 horas no aeroporto de Vladivostok, local da etapa derradeira do Trans-Siberian Extreme. Depois, foram mais 10 horas em Norilsk, 15 horas em Moscou e 16 horas em Istambul, na Turquia, até chegar em São Paulo. Dormiu em quatro aeroportos diferentes. Com o dinheiro curto, deu o seu jeitinho.

“O hotel em Vladivostok era muito caro e eu aproveitei o táxi que a competição disponibilizou para ir para o aeroporto. Então, eu juntei a comida da competição, como chocolate e amendoim, para se alimentar, e esperava a comida do avião. Dormi no chão mesmo, ao lado de outras pessoas. Às vezes os guardas expulsavam a gente”, diz.

Mixirica se joga no chão para comemorar a finalização do Trans-Siberian Extreme

Mixirica vibra com o terceiro lugar no Trans-Siberian Extreme (Denis Klero/Red Bull Content Pool)

O sonho americano

“Foi sofrido, dolorido”, diz Mixirica, mas “valeu a pena”. Não apenas por ter terminado a competição pela terceira vez (e novamente no pódio), mas por poder vestir uma camisa com a bandeira do Brasil e representar o país em uma prova em que pouquíssimos se arriscam a entrar.

“Eu vejo que as pessoas falam que dei orgulho para o Brasil e ficaram felizes. Teve um cara que disse que somos carentes de ídolos e deu para matar um pouco essa carência. Isso me deixa muito feliz. Eu sempre gostei de ajudar as pessoas. É o que mais gosto na vida”, afirma ele.

Agora, ele foca em outro desafio: o Race Cross America, prova de quase 5.000 km que corta os Estados Unidos e acontece em junho de 2019. Para isso, fez até uma vaquinha na internet para ajudar nas despesas. Esta será a décima tentativa dele. “Todo ano morre na praia. Mas eu não desisto. Vou conseguir”. Yes, you will.

Enrolado na bandeira do Brasil e com uma medalha no peito, Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme

Mixirica mostra o troféu de terceiro lugar do Trans-Siberian Extreme (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Entender o que a bicicleta significa para Marcelo Florentino Soares, mais conhecido como Mixirica, não é difícil. Basta exatamente um minuto de entrevista para ele, de forma bem natural, explicar: “É como parte do meu corpo, minhas asas”. Suas aventuras no pedal, seja no interior de São Paulo, em Minas ou no Trans-Siberian, provam isso.

De origem humilde, Mixirica, atualmente com 45 anos, quebrou prognósticos. Não exatamente por ter atravessado o Brasil em 2015, do Monte Caburaí, fronteira do Brasil com a Guiana, até o Chuí, divisa com o Uruguai, em um trajeto de aproximadamente 10.400 km, em 57 dias, sem apoio – somente ele e as bagagens. O seu grande desafio foi em outro país: a Rússia.

Mixirica participou do Trans-Siberian Extreme, a prova de ciclismo mais longa do mundo, em 2016 e 2017. São 14 etapas em apenas 24 dias, em um total de 9.211 km. A rota é três vezes maior do que o Tour de France. A edição do ano passado teve um total de 79.000 metros de ascensão. Dez ciclistas participaram do desafio. Apenas três chegaram até o fim, entre eles, o paulista, em 326 horas.

Com uniforme amarelo, Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/ RED BULL CONTENT POOL)

O dinheiro contado e o hambúrguer por pizza

Tanto em 2016 como em 2017, Mixirica conseguiu se inscrever e comprar passagens de avião para a prova com a ajuda de amigos, parceiros e familiares.

No ano retrasado, porém, quase ficou fora. Ele conta que só conseguiu o dinheiro da passagem um dia antes de embarcar. Foi para a Rússia com apenas R$ 50 no bolso – a partir do momento em que o ciclista entra na competição, tudo é pago pela organização.

“Eu fui com R$ 50 e voltei com os R$ 50. Se eu saísse da prova, estava ferrado, porque teria que arcar com tudo. Caso eu pifasse, morreria por lá. Então isso me dava ainda mais força. Fui me arrastando até o final. Minha vida no ciclismo sempre foi assim, no fim da rabiola”, disse Mixirica.

Em um clima bem frio, Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

O idioma foi um dos principais empecilhos. Ele não fala inglês, muito menos russo. Em 2016, quando viajou sem apoio, enfrentou dificuldades para comer fora da competição. “Às vezes eu pedia uma pizza e vinha um hambúrguer, ou então um suco de laranja e vinha outro. Ficava meia-hora para fazer um pedido”.

Durante a prova, há um restaurante móvel. A cada 200 km, eles param para alimentação. Ciclistas que participam deste tipo de prova costumam ingerir cerca de 15 mil calorias por dia. Isso equivale, por exemplo, a 150 bananas, 60 pedaços de pizza ou 200 ovos.

Comida à parte, a falta do inglês não foi um problema durante a prova. “Tem a linguagem do ciclismo, e a gente já sabe tudo o que tem que fazer lá. Já é acostumado. Desde limpar a bike a fazer um acerto, o cara já sabe. A bicicleta é universal”, afirmou o paulista, que em 2017 contou com um apoio para o ajudar.

Mixirica segura um cartaz com a quilometragem total da prova e o número de etapas após o término da competição

Mixirica após terminar a prova em 2017 (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

O frio, as dores e a microcirurgia no Trans-Siberian

Ao atravessar a Rússia, os ciclistas passam por cinco zonas climáticas diferentes e sete fusos horários, em etapas que vão de 310 km a 1.386 km (esta última foi vencida pelo russo Alexey Shchebelin, em mais de 52 horas). Mixirica chegou a pegar uma temperatura de 2°C negativos e uma etapa com chuva durante os 700 km, segundo ele.

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio enquanto é perseguido por outros três ciclistas

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

“A prova acontece seja no dia, na noite, na madrugada, no frio, na chuva ou no calor. Só paramos quando acaba a etapa. É muito sofrimento. Os gringos pedalavam em -2°C de camiseta, enquanto eu me vestia com um monte de blusas”, afirmou.

Mixirica pedala entre dois outros ciclistas em meio à forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica enfrenta a forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

As dores o acompanharam da primeira etapa até o fim. “Dói o corpo todo. Costas, pescoço, a mão esfarela, vira bolha. É um negócio louco”. Durante a competição, ele chegou a passar por uma microcirurgia nas nádegas, feita em um carro móvel. Logo depois, já voltou a pedalar.

“O corte começou já na primeira etapa. Já vai assando tudo por causa do atrito. Eu andava na pontinha do banco. Os ciclistas viravam a bermuda do avesso. Nem o forro aguentava. Não existe bermuda no mundo que aguente esta prova, não dá para conter cortes e assadura”, disse.

Mixirica tira um raro cochilo em um carro durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica tira um raro cochilo durante uma etapa do Trans-Siberian (PAVEL SUKHORUKOV/RED BULL CONTENT POOL)

Luta para superar os rivais

Dos dez ciclistas que participaram da prova em 2017, sete eram europeus, que dominam o esporte. Para Mixirica, o maior desafio não foi suportar o extenuante percurso, mas, sim, superar os rivais.

“Há os ataques no ciclismo, igual a uma luta de boxe. Eles tentam te largar, te deixar na estrada, possuem tática. Deram muita pancada”, disse o brasileiro, que ressaltou ainda que chegou a pedir intervenção da organização depois que Shchebelin jogou um objeto em sua direção.

Pedalando à noite, Mixirica pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa

Mixirica (esq.) pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

“Eles estavam com uma ‘metralhadora’, mas eu quase acabei com a vida deles com uma [arma calibre] 38. No meio da etapa, eu pedi para não atacarem, mas não me respeitaram e me atacaram. No final, o alemão que me pediu. Eu fui honesto e não ataquei”, afirmou.

Reconhecimento

Mixirica, que ganhou esse apelido por ter sido “flagrado”, ainda nos anos 1990, levando uma sacola com a fruta para uma competição e, depois, por ter deixado as mexericas voarem do seu bolso durante uma prova, nasceu em São Paulo e teve o seu primeiro contato com uma bicicleta aos cinco anos de idade.

Porém, só foi aprender a pedalar aos 11. Já participou de inúmeras provas, mas, por falta de condições financeiras e patrocinadores, teve que abdicar de muitas outras.

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Alexey Shchebelin e do alemão Pierre Bischoff em uma mureta após o fim do Trans-Siberian

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Shchebelin e do alemão Bischoff (VOLODYA VORONIN/RED BULL CONTENT POOL)

De todo modo, ele carrega consigo a certeza de que cumpriu bem o seu papel na Rússia. Com isso, ganhou notoriedade. Segundo ele próprio, a prova é como “uma benção” em sua vida. Em evidência, espera que consiga novos rumos em sua carreira de ciclista, mesmo que, com 45 anos, o tempo também seja um adversário.

“Eu vivo do ciclismo. É a única coisa que sei fazer. Nunca deram valor para mim e eu quero ser reconhecido. Em 2016, não acreditaram muito. Em 2017, provei que sou especialista em longa distância. Representei bem o Brasil. Eu tenho orgulho de ver o que fiz na Rússia”. Nós também, Mixirica.

De capacete, Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia

Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)