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Frio, lodo, dor e chegada triunfal: a experiência de Fábio Miyake no Paris-Roubaix

Frio, lodo, dor e chegada triunfal: a experiência de Fábio Miyake no Paris-Roubaix

Paris-Roubaix é uma das provas mais conhecidas do ciclismo. Disputada desde 1896, é considerada a “Rainha das Clássicas”. Já quem participa do evento prefere usar as alcunhas “O Inferno do Norte” e “Um Domingo no Inferno”, termos utilizados para descrever o percurso depois da Primeira Guerra Mundial. O professor de educação física Fábio Miyake é um dos que proferem esses dois apelidos.

Miyake, de 43 anos, participou da Paris-Roubaix Challenge, que reúne ciclistas amadores e foi realizada no dia 7 de abril, um dia antes da prova profissional. Após um período de preparação, ele conseguiu completar os 172 km da prova. Mas não foi fácil. A Paris-Roubaix Challenge reserva 29 trechos de estradas de paralelepípedo, totalizando 54 km.

“Esses trechos de paralelepípedo vão se desenvolvendo ao longo do percurso e é bem desconfortável. A vibração é muito forte, as pernas e o pulso começam a doer. O corpo absorve toda essa trepidação. É uma prova muito desgastante. Tive inflamação no tornozelo e na mão”, diz Miyake, que é proprietário e treinador da Bushido Treinamento Esportivo, parceira da Bicicletaria Faria Lima.

Para participar do desafio, ele aumentou a sua rotina de treinos três meses antes de viajar. Passou a pedalar em caminhos mais longos, como na Estrada dos Romeiros, em Itu, São Paulo, num percurso de 150 km. Também começou a pedalar em terrenos irregulares, para se acostumar com a trepidação.

Fábio Miyake aponta para o seu nome em um banner da prova de ciclismo Paris-Roubaix

Fábio Miyake aponta para o seu nome em um banner da prova Paris-Roubaix

As dificuldades de Paris-Roubaix

O paralelepípedo e o trajeto desgastante de 172 km não são os únicos desafios. A Floresta de Arenberg reserva, para ele, o maior obstáculo.

“Esse é o trecho mais difícil. O local era uma mina, que foi desativada, e a estrada foi deteriorada. É uma floresta que fica fechada durante o ano. Tem lodo, então é bem difícil passar por ali. Pessoas que não têm muita experiência caem. Até os ciclistas profissionais têm dificuldades”, conta.

Como se não bastasse, Miyake ainda teve que encarar o frio. “A temperatura chegou a seis graus. Tem que estar bem agasalhado e ir com os equipamentos para suportar o frio, até porque venta muito forte”, afirma.

Ao longo do percurso, muitas bicicletas quebram. Pneus furados também são bem comuns, especialmente por causa do paralelepípedo. Miyake usou uma 3R3, da Soul, que aguentou firme o trajeto inteiro. “Minha bike não teve problema algum”, diz.

Fábio Miyake tira uma foto em frente a uma placa que indica um dos trajetos da Paris-Roubaix, na Floresta de Arenberg

Fábio Miyake em frente a uma placa que indica um dos trajetos da Paris-Roubaix, na Floresta de Arenberg

O clima amigável de Paris-Roubaix

De acordo com a organização, a prova deste ano bateu um recorde de inscritos: 6 mil. Desses, 5.400 terminaram o desafio, que tinha outros dois percursos: 70 km e 145 km. Não importava, porém, quem chegaria em primeiro.

“O clima não é de competição, mas, sim, de confraternização e superação. Todos queriam fazer os trechos bem. É contra você mesmo. Muitos paravam para filmar, tirar fotos. Não tinha final cronometrado. Eu queria desbravar”, diz Miyake, que terminou o desafio em seis horas, aproximadamente.

Na chegada, seu filho e sua namorada, mais um casal de amigos que saiu de Paris para vê-lo, o esperavam no Velódromo de Roubaix. Para ele, o momento mais especial da aventura. “Para quem pedala, chegar no Velódromo de Roubaix é mítico. As pessoas fotografando, todo mundo muito feliz. É uma experiência única”, afirma Miyake, que já pensa em Paris-Roubaix 2019.

Fábio Miyake mostra a sua bicicleta Soul na chegada da prova Paris-Roubaix, no Velódromo de Roubaix, enquanto outros ciclistas cruzam a linha final

Fábio Miyake mostra a sua bicicleta Soul na chegada da prova Paris-Roubaix, no Velódromo de Roubaix