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Cassio Cortes, do Acelerados, vai visitar a Itália de bicicleta com a Special Trip

Cassio Cortes, do Acelerados, vai visitar a Itália de bicicleta com a Special Trip

Cassio Cortes, apresentador e repórter do programa Acelerados, já começou a sua preparação para viajar em setembro para a “Terra dei Motori” (ou Motor Valley), uma das regiões mais famosas da Itália por sua íntima ligação com a engenharia de motores de alta performance.

A aventura de Cassio Cortes, porém, será um pouco diferente daquela que está acostumado em suas gravações para o Acelerados, que tem um canal no YouTube e passa aos domingos de manhã no SBT. Em vez do carro, ele vai visitar o Motor Valley de bicicleta.

Sim, Cassio Cortes vai pedalar uma 3R3 Aero, da Soul Cycles, fornecida pela Bicicletaria Faria Lima, em uma viagem organizada pela Special Trip, parceira da loja – você pode conferir mais aqui.

Cassio Cortes está sentado em sua bicicleta, a 3R3 Aero, da Soul Cycles, na loja, enquanto Igor Laguens tira as suas medidas para o bike fit

Cassio Cortes faz o bike fit com o acompanhamento de Igor Laguens

“Estamos indo para a ‘Terra dei Motori’ com a Special Trip. É um programa imperdível para quem é acelerado, para quem ama carro, para quem ama ciclismo”, disse Cassio Cortes.

“A gente vai explorar o Vale dos Motores da Itália, nas grandes marcas, como Ferrari e Lamborghini, num passeio ciclístico. Apesar que não vai ser bem um passeio, porque a gente vai puxar um pouquinho com as bikes de alta performance”, afirmou.

Uma superbicicleta na terra dos supermotores

Feita de carbono, a 3R3 Aero é uma bicicleta de estrada de alto rendimento, possui uma rigidez elevada e quadro aerodinâmico. Seus tubos são projetados para atingir grandes velocidades. A de Cassio Cortes vem equipada com rodas Mavic Aksium, componentes Controltech e câmbio Ultegra.

A bicicleta Soul 3R3 Aero, de Cassio Cortes, na loja da Bicicletaria Faria Lima

A Soul 3R3 Aero, do Cassio Cortes

Para se adaptar perfeitamente à bicicleta, o apresentador fez o bike fit com Igor Laguens, novo integrante da equipe da Bicicletaria Faria Lima e que atenderá na loja a todos que tenham interesse no serviço.

“Cara, estou muito feliz. Fiz um bike fit como eu nunca tinha feito. Parece que realmente a bike vestiu. Está é minha primeira bicicleta de carbono, então se a performance não melhorar, não vai ser por culpa da bike, vai ser por culpa do piloto [risos]”, afirmou.

Na Terra dei Motori, que fica na região da Emilia Romagna, no norte da Itália, Cassio Cortes e sua Soul Cycles vão se misturar a grandes marcas do automobilismo. Lá estão fábricas e museus de montadoras como Ferrari, Lamborghini, Maserati, Pagani e Ducati.

Foto da fachada do Museu Enzo Ferrari, no Motor Valley

Museu Enzo Ferrari, que fica no Motor Valley (divulgação)

Cassio Cortes conhece bem todas essas marcas, mas a bicicleta também está presente em sua vida há muito tempo.

“O meu pai fazia triatlo quando eu era bem novo, entre os 8 e 15 anos, então sempre tive uma bike speed em casa e sempre gostei de andar. Nunca fui um cara muito dedicado, no sentido de fazer provas, mas gosto de road bikes”, disse.

Cassio Cortes e a volta rápida

Antes de viajar para a Itália, Cassio Cortes terá outro desafio. Ele vai ocupar o lugar de Rubens Barrichello e gravar mais um “Volta Rápida”, quadro em que o piloto estabelece um ranking entre carros. Agora, porém, a história será um pouco diferente. Na vaga do automóvel entra a 3R3 Aero.

O desafio será no famoso autódromo Velo Città, localizado em Mogi Guaçu, que fica a cerca de 200 km de distância da capital paulista. A meta? Terminar o trajeto de 3.493 metros na casa de 4 minutos.

O circuito tem 14 curvas, 15 postos de sinalização e apresenta um desnível de 45 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo da pista. O autódromo é homologado pela FIA (Fédération Internationale de l’Automobile) e pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

Imagem aérea do Velo Città

Imagem aérea do Velo Città (divulgação)

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer Limited Edition: a personificação de um dos maiores ciclistas do Brasil

Murilo Fischer tem mais de 20 anos de experiência no ciclismo, sendo 13 como profissional, disputou cinco Olimpíadas, esteve presente nos três principais campeonatos (Tour de France, Giro d’Italia e Vuelta a España) e ganhou diversos títulos, como o Mundial e o Campeonato Brasileiro de Estrada. Tudo isso, agora, está personificado em uma bicicleta: Murilo Fischer Limited Edition.

O lançamento da nova bike da Soul Cycles aconteceu na última quinta-feira (13), em um evento realizado na loja da Bicicletaria Faria Lima. Murilo Fischer esteve presente para apresentar a novidade ao lado do presidente da marca, André Maior, e o seu sócio, João Paulo Diniz.

Murilo Fischer reuniu o que há de melhor no ciclismo de estrada para produzir a bicicleta e usou toda a sua experiência vivida no esporte para atingir um nível de excelência. O resultado? “Uma obra de arte”, disse ele.

Detalhes do garfo e do quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition

A nova bicicleta da Soul, Murilo Fischer Limited Edition, pesa menos que 6 kg

Uma bicicleta com a alma de Murilo Fischer

Murilo Fischer começou a pedalar com 15 anos e se tornou um dos ciclistas mais importantes que o Brasil já teve. Ele passou por equipes internacionais e é o único brasileiro a ter completado o Tour de France por três vezes e o Giro d’Italia, por quatro. Toda essa paixão pelo esporte foi transportada para a nova bicicleta.

“Ela tem a minha personalidade, uma ligação comigo, detalhes da minha carreira. É uma bike prazerosa. Eu coloquei nela todo o amor que tenho pelo ciclismo. Tem a minha alma e foi feita para quem ama ciclismo. Eu gostaria que quem a comprasse, sentisse o mesmo prazer de pedalar como eu a desenvolvi”, disse o ex-ciclista.

Duas bicicletas Murilo Fischer Limited Edition expostas em nossa loja

A bicicleta Murilo Fischer Limited Edition durante o evento de lançamento

Murilo Fischer se aposentou em 2016, depois da Olimpíada do Rio de Janeiro, e hoje exerce importante papel no grupo de desenvolvimento das bicicletas da Soul. A Limited Edition, aliás, foi toda pensada por ele. Entre os primeiros rabiscos e a finalização, o processo de produção da bicicleta durou um ano e meio.

“Eu que escolhi os componentes, os detalhes, participei da montagem, da pintura. Botei a mão na massa. Fiz questão de participar de tudo, desde o fazer até o organizar, escolher os materiais. Queria transmitir esse amor que tenho por bicicleta para a pessoa que irá usá-la”, afirmou ele.

Bicicleta pendurada na parede com destaque para as rodas Lightweight

A bicicleta é equipada com rodas Lightweight

A Limited Edition foi desenvolvida nos mínimos detalhes, muito por causa de Murilo Fischer, cuidadoso ao extremo na escolha dos componentes e no design, exatamente como era em seus tempos de profissional, como contou o presidente da Soul, André Maior.

“Demos total liberdade para ele. Queríamos que ele se identificasse com o produto. Uma coisa que me chamou a atenção é que o Murilo é muito detalhista. E era isso que eu queria. A Soul não nasceu para ser a maior marca nacional, mas insisto em dizer que queremos ser a melhor. Esse é o nosso objetivo. Estou muito orgulhoso e satisfeito com o resultado que estamos tendo”, disse.

O quadro da nova bicicleta da Soul Cycles, Murilo Fischer Limited Edition, visto em um ambiente escuro

O quadro da bicicleta visto em um ambiente escuro

Os melhores componentes

Para representar um dos maiores ciclistas do Brasil, a bicicleta teria que receber os melhores componentes, possuir um design exclusivo e ser especial – ou limitada, como é o caso. Dessa forma, foram produzidas apenas dez unidades. O preço? R$ 49,900.

A bicicleta pesa apenas 5,9 kg (a mais leve da Soul), é equipada com rodas Lightweight (indubitavelmente, as melhores do mundo) e possui grupo da marca Sram sem fio, selim da Selle Italia de 60 gramas (o normal pesa 200 gramas) e mesa Controltech. O quadro é feito de carbono.

Detalhe da corrente da bicicleta Murilo Fischer Limited Edition

O processo de desenvolvimento da bicicleta demorou um ano e meio

“A gente conseguiu juntar tudo isso e fazer essa bicicleta com menos de 6 kg com peças comerciais. Tem o melhor do que existe no ciclismo de estrada. É leve, rígida, para extrema performance. Ficou tudo dentro do nosso objetivo”, afirmou.

A pintura da bicicleta possui vários detalhes. No quadro, por exemplo, ela tem os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas (Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). O ex-ciclista citou ainda a “cor camaleão”. No escuro, o verde ganha um destaque surpreendente.

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas estão pintados no quadro da nova bicicleta

Os anos em que Murilo Fischer participou das Olimpíadas

“É uma combinação bem bacana e moderna e são cores que chamam atenção na estrada. Tem um azul que a gente não consegue enxergar de longe, mas, chegando perto, você percebe. Os anos das Olimpíadas ganham um brilho diferente no sol. É show”, disse.

A missão de oferecer uma bicicleta única, inspirada em uma carreira de muito sucesso como a de Murilo Fischer, foi cumprida. E o ex-ciclista sabe bem disso. “Para mim, depois de tantos anos no ciclismo, eu considero como a minha primeira vitória nessa nova fase”.

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento de lançamento da Soul Limited Edition

Murilo Fischer concede entrevista durante o evento

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Mixirica no Trans-Siberian: O brasileiro que atravessou a Rússia de bicicleta

Entender o que a bicicleta significa para Marcelo Florentino Soares, mais conhecido como Mixirica, não é difícil. Basta exatamente um minuto de entrevista para ele, de forma bem natural, explicar: “É como parte do meu corpo, minhas asas”. Suas aventuras no pedal, seja no interior de São Paulo, em Minas ou no Trans-Siberian, provam isso.

De origem humilde, Mixirica, atualmente com 45 anos, quebrou prognósticos. Não exatamente por ter atravessado o Brasil em 2015, do Monte Caburaí, fronteira do Brasil com a Guiana, até o Chuí, divisa com o Uruguai, em um trajeto de aproximadamente 10.400 km, em 57 dias, sem apoio – somente ele e as bagagens. O seu grande desafio foi em outro país: a Rússia.

Mixirica participou do Trans-Siberian Extreme, a prova de ciclismo mais longa do mundo, em 2016 e 2017. São 14 etapas em apenas 24 dias, em um total de 9.211 km. A rota é três vezes maior do que o Tour de France. A edição do ano passado teve um total de 79.000 metros de ascensão. Dez ciclistas participaram do desafio. Apenas três chegaram até o fim, entre eles, o paulista, em 326 horas.

Com uniforme amarelo, Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica pedala em uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/ RED BULL CONTENT POOL)

O dinheiro contado e o hambúrguer por pizza

Tanto em 2016 como em 2017, Mixirica conseguiu se inscrever e comprar passagens de avião para a prova com a ajuda de amigos, parceiros e familiares.

No ano retrasado, porém, quase ficou fora. Ele conta que só conseguiu o dinheiro da passagem um dia antes de embarcar. Foi para a Rússia com apenas R$ 50 no bolso – a partir do momento em que o ciclista entra na competição, tudo é pago pela organização.

“Eu fui com R$ 50 e voltei com os R$ 50. Se eu saísse da prova, estava ferrado, porque teria que arcar com tudo. Caso eu pifasse, morreria por lá. Então isso me dava ainda mais força. Fui me arrastando até o final. Minha vida no ciclismo sempre foi assim, no fim da rabiola”, disse Mixirica.

Em um clima bem frio, Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica toma um suplemento durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

O idioma foi um dos principais empecilhos. Ele não fala inglês, muito menos russo. Em 2016, quando viajou sem apoio, enfrentou dificuldades para comer fora da competição. “Às vezes eu pedia uma pizza e vinha um hambúrguer, ou então um suco de laranja e vinha outro. Ficava meia-hora para fazer um pedido”.

Durante a prova, há um restaurante móvel. A cada 200 km, eles param para alimentação. Ciclistas que participam deste tipo de prova costumam ingerir cerca de 15 mil calorias por dia. Isso equivale, por exemplo, a 150 bananas, 60 pedaços de pizza ou 200 ovos.

Comida à parte, a falta do inglês não foi um problema durante a prova. “Tem a linguagem do ciclismo, e a gente já sabe tudo o que tem que fazer lá. Já é acostumado. Desde limpar a bike a fazer um acerto, o cara já sabe. A bicicleta é universal”, afirmou o paulista, que em 2017 contou com um apoio para o ajudar.

Mixirica segura um cartaz com a quilometragem total da prova e o número de etapas após o término da competição

Mixirica após terminar a prova em 2017 (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

O frio, as dores e a microcirurgia no Trans-Siberian

Ao atravessar a Rússia, os ciclistas passam por cinco zonas climáticas diferentes e sete fusos horários, em etapas que vão de 310 km a 1.386 km (esta última foi vencida pelo russo Alexey Shchebelin, em mais de 52 horas). Mixirica chegou a pegar uma temperatura de 2°C negativos e uma etapa com chuva durante os 700 km, segundo ele.

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio enquanto é perseguido por outros três ciclistas

Bem agasalhado, Mixirica tanta se proteger do frio (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

“A prova acontece seja no dia, na noite, na madrugada, no frio, na chuva ou no calor. Só paramos quando acaba a etapa. É muito sofrimento. Os gringos pedalavam em -2°C de camiseta, enquanto eu me vestia com um monte de blusas”, afirmou.

Mixirica pedala entre dois outros ciclistas em meio à forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica enfrenta a forte chuva durante uma etapa do Trans-Siberian (DENIS KLERO/RED BULL CONTENT POOL)

As dores o acompanharam da primeira etapa até o fim. “Dói o corpo todo. Costas, pescoço, a mão esfarela, vira bolha. É um negócio louco”. Durante a competição, ele chegou a passar por uma microcirurgia nas nádegas, feita em um carro móvel. Logo depois, já voltou a pedalar.

“O corte começou já na primeira etapa. Já vai assando tudo por causa do atrito. Eu andava na pontinha do banco. Os ciclistas viravam a bermuda do avesso. Nem o forro aguentava. Não existe bermuda no mundo que aguente esta prova, não dá para conter cortes e assadura”, disse.

Mixirica tira um raro cochilo em um carro durante uma etapa do Trans-Siberian

Mixirica tira um raro cochilo durante uma etapa do Trans-Siberian (PAVEL SUKHORUKOV/RED BULL CONTENT POOL)

Luta para superar os rivais

Dos dez ciclistas que participaram da prova em 2017, sete eram europeus, que dominam o esporte. Para Mixirica, o maior desafio não foi suportar o extenuante percurso, mas, sim, superar os rivais.

“Há os ataques no ciclismo, igual a uma luta de boxe. Eles tentam te largar, te deixar na estrada, possuem tática. Deram muita pancada”, disse o brasileiro, que ressaltou ainda que chegou a pedir intervenção da organização depois que Shchebelin jogou um objeto em sua direção.

Pedalando à noite, Mixirica pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa

Mixirica (esq.) pega o vácuo de outros dois ciclistas durante uma etapa (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

“Eles estavam com uma ‘metralhadora’, mas eu quase acabei com a vida deles com uma [arma calibre] 38. No meio da etapa, eu pedi para não atacarem, mas não me respeitaram e me atacaram. No final, o alemão que me pediu. Eu fui honesto e não ataquei”, afirmou.

Reconhecimento

Mixirica, que ganhou esse apelido por ter sido “flagrado”, ainda nos anos 1990, levando uma sacola com a fruta para uma competição e, depois, por ter deixado as mexericas voarem do seu bolso durante uma prova, nasceu em São Paulo e teve o seu primeiro contato com uma bicicleta aos cinco anos de idade.

Porém, só foi aprender a pedalar aos 11. Já participou de inúmeras provas, mas, por falta de condições financeiras e patrocinadores, teve que abdicar de muitas outras.

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Alexey Shchebelin e do alemão Pierre Bischoff em uma mureta após o fim do Trans-Siberian

Mixirica exibe a bandeira do Brasil ao lado do russo Shchebelin e do alemão Bischoff (VOLODYA VORONIN/RED BULL CONTENT POOL)

De todo modo, ele carrega consigo a certeza de que cumpriu bem o seu papel na Rússia. Com isso, ganhou notoriedade. Segundo ele próprio, a prova é como “uma benção” em sua vida. Em evidência, espera que consiga novos rumos em sua carreira de ciclista, mesmo que, com 45 anos, o tempo também seja um adversário.

“Eu vivo do ciclismo. É a única coisa que sei fazer. Nunca deram valor para mim e eu quero ser reconhecido. Em 2016, não acreditaram muito. Em 2017, provei que sou especialista em longa distância. Representei bem o Brasil. Eu tenho orgulho de ver o que fiz na Rússia”. Nós também, Mixirica.

De capacete, Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia

Mixirica beija o chão em agradecimento à Rússia (RED BULL TRANS-SIBERIAN EXTREME 2017)

Frio, lodo, dor e chegada triunfal: a experiência de Fábio Miyake no Paris-Roubaix

Frio, lodo, dor e chegada triunfal: a experiência de Fábio Miyake no Paris-Roubaix

Paris-Roubaix é uma das provas mais conhecidas do ciclismo. Disputada desde 1896, é considerada a “Rainha das Clássicas”. Já quem participa do evento prefere usar as alcunhas “O Inferno do Norte” e “Um Domingo no Inferno”, termos utilizados para descrever o percurso depois da Primeira Guerra Mundial. O professor de educação física Fábio Miyake é um dos que proferem esses dois apelidos.

Miyake, de 43 anos, participou da Paris-Roubaix Challenge, que reúne ciclistas amadores e foi realizada no dia 7 de abril, um dia antes da prova profissional. Após um período de preparação, ele conseguiu completar os 172 km da prova. Mas não foi fácil. A Paris-Roubaix Challenge reserva 29 trechos de estradas de paralelepípedo, totalizando 54 km.

“Esses trechos de paralelepípedo vão se desenvolvendo ao longo do percurso e é bem desconfortável. A vibração é muito forte, as pernas e o pulso começam a doer. O corpo absorve toda essa trepidação. É uma prova muito desgastante. Tive inflamação no tornozelo e na mão”, diz Miyake, que é proprietário e treinador da Bushido Treinamento Esportivo, parceira da Bicicletaria Faria Lima.

Para participar do desafio, ele aumentou a sua rotina de treinos três meses antes de viajar. Passou a pedalar em caminhos mais longos, como na Estrada dos Romeiros, em Itu, São Paulo, num percurso de 150 km. Também começou a pedalar em terrenos irregulares, para se acostumar com a trepidação.

Fábio Miyake aponta para o seu nome em um banner da prova de ciclismo Paris-Roubaix

Fábio Miyake aponta para o seu nome em um banner da prova Paris-Roubaix

As dificuldades de Paris-Roubaix

O paralelepípedo e o trajeto desgastante de 172 km não são os únicos desafios. A Floresta de Arenberg reserva, para ele, o maior obstáculo.

“Esse é o trecho mais difícil. O local era uma mina, que foi desativada, e a estrada foi deteriorada. É uma floresta que fica fechada durante o ano. Tem lodo, então é bem difícil passar por ali. Pessoas que não têm muita experiência caem. Até os ciclistas profissionais têm dificuldades”, conta.

Como se não bastasse, Miyake ainda teve que encarar o frio. “A temperatura chegou a seis graus. Tem que estar bem agasalhado e ir com os equipamentos para suportar o frio, até porque venta muito forte”, afirma.

Ao longo do percurso, muitas bicicletas quebram. Pneus furados também são bem comuns, especialmente por causa do paralelepípedo. Miyake usou uma 3R3, da Soul, que aguentou firme o trajeto inteiro. “Minha bike não teve problema algum”, diz.

Fábio Miyake tira uma foto em frente a uma placa que indica um dos trajetos da Paris-Roubaix, na Floresta de Arenberg

Fábio Miyake em frente a uma placa que indica um dos trajetos da Paris-Roubaix, na Floresta de Arenberg

O clima amigável de Paris-Roubaix

De acordo com a organização, a prova deste ano bateu um recorde de inscritos: 6 mil. Desses, 5.400 terminaram o desafio, que tinha outros dois percursos: 70 km e 145 km. Não importava, porém, quem chegaria em primeiro.

“O clima não é de competição, mas, sim, de confraternização e superação. Todos queriam fazer os trechos bem. É contra você mesmo. Muitos paravam para filmar, tirar fotos. Não tinha final cronometrado. Eu queria desbravar”, diz Miyake, que terminou o desafio em seis horas, aproximadamente.

Na chegada, seu filho e sua namorada, mais um casal de amigos que saiu de Paris para vê-lo, o esperavam no Velódromo de Roubaix. Para ele, o momento mais especial da aventura. “Para quem pedala, chegar no Velódromo de Roubaix é mítico. As pessoas fotografando, todo mundo muito feliz. É uma experiência única”, afirma Miyake, que já pensa em Paris-Roubaix 2019.

Fábio Miyake mostra a sua bicicleta Soul na chegada da prova Paris-Roubaix, no Velódromo de Roubaix, enquanto outros ciclistas cruzam a linha final

Fábio Miyake mostra a sua bicicleta Soul na chegada da prova Paris-Roubaix, no Velódromo de Roubaix